Debate

França segue perplexa diante de série de ataques com seringa contra jovens; entenda

Vitor Paiva - 06/05/2022 às 09:16

Autoridades francesas estão em alerta diante da misteriosa onda de ataques com seringas que vem ocorrendo em casas noturnas, boates e bares, que levou à abertura de mais de uma centena de investigações por todo o país. De acordo com a polícia, as picadas de agulha foram relatadas em cidades como Paris, Grenoble, Nantes, Béziers, Rennes, Lyon e Toulouse, com as agressões ocorrendo contra jovens, homens e mulheres, e provocando, segundo relatos, sintomas diversos, como vertigem, náusea, perda de equilíbrio, suores, mal-estar, dores musculares, perda de força nas pernas, dificuldades de visão, perda de memória, e mais.

As marcas de seringa foram percebidas em atendimentos médicos posteriores na maioria dos casos

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À imprensa francesa, diversos jovens vítimas de ataques revelaram que só descobriram marcas de agulha de seringa no dia seguinte ou em exame médico, após sentirem os sintomas durante a noite. “Uma dor súbita me paralisou e minhas pernas me abandonaram. Não conseguia me levantar. Os seguranças da boate acharam que eu estava bêbada e queriam me expulsar. Um amigo achou que eu estava tendo um acidente vascular cerebral”, afirmou uma jovem de nome Marie, que passou a noite em um hospital e foi informada por uma enfermeira da marca de injeção em sua coxa, ao jornal Le Parisien.

Festas, boates, casas de show: as centenas de ataques ocorreram em contextos de multidão no país

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Nenhum caso de abuso sexual foi relatado, e somente um furto entre as centenas de casos foi noticiado a partir de um ataque. Apesar da grande quantidade de ocorrências, os médicos ainda não conseguiram identificar qual seria a substância injetada, mas desconfiam se tratar ou de GHB, a chamada “droga do estuprador” – ainda que diversos testes tenham dado negativo para a substância – ou mesmo algum elemento produzido pelo corpo e de aplicação rápida, como adrenalina ou insulina. Como forma de prevenção, todas as vítimas iniciaram imediatamente um tratamento com triterapia para combater qualquer possibilidade de transmissão do vírus HIV, mas todos os testes até aqui deram negativo para a doença.

Tontura, perda de visão, náusea e desmaios foram alguns dos sintomas noticiados pelas vítimas

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Até o momento, a polícia não tem suspeitos, não concluiu qual seria a substância utilizada, nem o tipo de seringa utilizada nos ataques, e vem trabalhando com a hipótese de se tratar de uma violência gratuita e sem motivações claras, ou de algum tipo de desafio sinistro estabelecido através das redes sociais. As investigações, porém, seguem em todo o país, com estabelecimentos aumentando o controle para a entrada, e ampliando o investimento em equipamentos de segurança e primeiros socorros. A pena para administração de substância nociva na França é de três anos de prisão, mas pode chegar a dez anos com agravantes como premeditação ou por danos impostos às vítimas.

Os locais vêm investindo em controle de entrada e equipamento de segurança

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© foto 1: Getty Images

© foto 2: David Domingo/Flickr/CC

© foto 3: Parisa/Flickr/CC

© foto 4: Wikimedia Commons


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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