Inspiração

Freira francesa de 118 anos é a nova detentora do título de pessoa mais velha do mundo

Vitor Paiva - 02/05/2022 às 10:15 | Atualizada em 04/05/2022 às 10:18

Após a confirmação do falecimento da japonesa Kane Tanaka aos 119 anos, o título de mulher mais velha do mundo passou a pertencer à freira francesa Lucile Randon, que, em 11 de fevereiro, completou 118 anos. Nascida em 1904 em Alles, cidade ao sul da França, a religiosa assumiu o nome de Irmã André desde que entrou para a igreja, em 1944, e dedicou boa parte da sua vida aos serviços clericais, tendo cuidado de crianças durante a Segunda Guerra Mundial, e trabalhado por décadas em um hospital, atendendo órfãos e idosos, até aproximadamente os 100 anos. Segundo o Livro dos Recordes, Irmã André é também a freira mais velha do mundo, e a pessoa mais velha a sobreviver à Covid-19, após contrair e superar a doença em 2021.

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Quando a Primeira Guerra Mundial estourou, Lucile Randon tinha 10 anos de idade, e cerca de 14 anos quando a Pandemia de Gripe de 1918 tomou o planeta: em resumo, ao longo de sua vida a Irmã sobreviveu a duas guerras mundiais e duas pandemias globais com louvor, tendo se curado da Covid a tempo de celebrar seu aniversário de 117 anos, no início do ano passado. Atualmente cega e tendo que se mover em uma cadeira de rodas, a freira que ajudou a tantos ao longo do último século lamenta depender da ajuda de terceiros para cumprir sua rotina diária, que inclui a missa matinal, preces, a companhia de um rádio, uma taça de vinho e um pouco de chocolate.

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“Sinto que estaria melhor no céu, mas o bom Deus ainda não me quer”, comentou André, que recebeu, em seu aniversário de 118 anos, uma carta do presidente da França, Emmanuel Macron, além de caixas de chocolates e outros presentes que admiradores enviaram para a casa de repouso Résidence Catherine Labouré, onde vive. Macron é o 18º presidente que a freira vê tomar posse em seu país e, ao longo de sua vida, 10 diferentes Papas lideraram a Igreja Católica. Curiosamente, o hábito de consumir chocolate é comum entre supercentenárias, e era preferência regular também de Tanaka até seu falecimento.

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Apesar de enxergar certa tristeza na “honra” que reconhece em se tornar a mulher mais velha do mundo, André afirmou que adoraria superar o recorde de Jeanne Calment, a mulher mais velha documentada em todos os tempos: nascida em 1875, Calment, que também era francesa, faleceu em 1997, com 122 anos e 164 dias – e também tinha o hábito de adoçar as refeições com chocolate. Irmã André, por sua vez, se nega a oferecer fios de cabelo para que a ciência possa estudar os possíveis segredos por trás de sua saúde e longevidade: “Só o bom Deus sabe”, ela responde, com um supercentenário sorriso no rosto

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© foto 1: Facebook/reprodução

© foto 2: Wikimedia Commons/Guinness Book/reprodução

© fotos 3, 4: Guinness Book/reprodução

 


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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