Ciência

Frio: 3º La Niña seguido é provável, diz alerta dos EUA, e poderá durar até 2023  

19 • 05 • 2022 às 10:15
Atualizada em 23 • 05 • 2022 às 10:16
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Meteorologistas do Centro de Previsão Climática dos EUA afirmaram que são altas as chances do fenômeno climático La Niña retornar pelo terceiro ano seguido, em circunstâncias consideradas raras: desde 1950, somente em duas outras ocasiões o fenômeno, que provoca o resfriamento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial, ocorreu por três anos consecutivos, entre 1973 e 1976, e entre 1998 e 2001. De acordo com o anúncio, divulgado no dia 12 de maio, as chances do retorno, que eram de 53% em abril, subiram para 61%, que pode durar até 2023, antecipando o inverno e intensificando o frio.

Frio em São Paulo: o La Niña antecipa, prolonga e intensifica o inverno pelo terceiro ano seguido

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Segundo as autoridades japonesas, as chances do La Niña continuar durante o verão no hemisfério norte são de 70%. Além de intensificar o inverno no Brasil, principalmente nas regiões sul e sudeste, aumentar o frio na costa oeste da América do Sul e também as chuvas no Caribe, o fenômeno provoca agravamento dos ciclones, tornados e furacões em regiões do Atlântico e do Pacífico, como já vem ocorrendo nos últimos anos. O processo atual teve início no final de 2020, e prosseguiu em outubro do ano passado, se fortalecendo inesperadamente entre o final de março e abril passados, quando o Pacífico apresentou as temperaturas mais frias em 72 anos.

Registro do fenômeno meteorológico em todo o mundo, esfriando as águas do Pacífico equatorial

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Atualmente, especialistas divergem sobre a duração do atual prolongamento do fenômeno: enquanto algumas previsões sugerem que o La Niña vá seguir ao longo do inverno do hemisfério sul, entre junho e agosto, outros modelos sugerem que o processo pode durar até o final de 2022 ou mesmo início de 2023. Durante os meses de dezembro e fevereiro, o fenômeno causa aumento das chuvas nas regiões norte e nordeste do Brasil, queda nas temperaturas da região sudeste, e intensificação do frio no Japão e nos EUA – em geral, o processo costuma durar cerca de um ano, podendo chegar até dois anos ao todo costumeiramente.

Detalhe do La Niña afetando a América do Sul

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Com a permanência e intensificação, portanto, do La Niña, o inverno deve chegar mais cedo e ser mais severo no Brasil em 2022, com quedas expressivas de temperatura já sendo registradas em diversas regiões do Brasil no meio de maio, especialmente entre os dias 17 e 19. As chuvas provavelmente ficarão abaixo da média no centro, sul e sudeste do Brasil entre maio e julho, podendo prejudicar inclusive produções agrícolas no país: de acordo com especialistas, as lavouras mais afetadas pelo fenômeno serão de soja, milho e cana de açúcar.

Neve recente na serra catarinense

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© foto 1: Marcelo Camargo/Agência Brasil

© fotos 2, 3: NOAA Watch/reprodução

© foto 4: Daniel dos Santos Rosa/Arquivo Pessoal


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