Sustentabilidade

Girafas envolvidas na maior importação de animais do Brasil estão presas em galpões de 31 m²

Redação Hypeness - 12/05/2022 às 15:42 | Atualizada em 12/05/2022 às 15:42

15 girafas estão vivendo presas em um galpão de 31 metros quadrados. Os animais originários da África do Sul estão detidos em um espaço inapropriado no resort Portobello, em Mangaratiba, no Rio de Janeiro.

Esses animais fazem parte da maior importação de animais do Brasil. No final de 2021, US$ 6 milhões de dólares foram gastos pelo Bioparque do Rio de Janeiro para trazer 18 girafas para o bel-prazer do zoológico carioca. Enquanto não são transferidas para o local na Quinta da Boavista, as girafas seguem no hotel na região metropolitana.

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A compra foi autorizada pelo Ibama. O caso gerou polêmica já na época. Seis meses depois, a condição das girafas é misteriosa. Além disso, três delas morreram depois de tentar fugir do confinamento nos galpões cariocas. Nos exames, foi constatado que a causa mortis estava relacionada ao extremo estresse.

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“Nada justifica a importação de tantos animais de uma só vez. Nós só podemos atribuir isso, provavelmente, ao comércio, uma vez que não há projeto de conservação, ao contrário do que se tem falado. E nem as maiores organizações de proteção e defesa das girafas do mundo têm conhecimento de tal processo de importação”, diz a advogada de direitos dos animais, Ana Paula Vasconcelos.

Maus-tratos

Agora, as girafas sobreviventes são confinadas em um galpão de 31 metros em grupos de três. De acordo com os parâmetros internacionais, cada girafa deve ter pelo menos 300 metros de área livre para viver adequadamente e sem estresse. Vistorias da Polícia Federal apontam “indícios de maus tratos”. O Ibama já multou o Bioparque e o Resort, mas os animais seguem em cativeiro.

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Girafas

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“A gente não sabe o que está acontecendo com as girafas. O inquérito policial está sob sigilo e simplesmente a gente não tem o que fazer”, diz o ambientalista Mario Antonio Augelli ao G1.

Existe um processo que busca libertar as girafas da confinamento e reverter a autorização da compra, mas não há juiz designado para avaliar o caso. A responsabilidade passa pelo Inea (Instituto Estadual do Ambiente), pelo Bioparque do Rio de Janeiro e pelo Resort Portobello.

A ideia dos ativistas é enviar os animais de volta para algum santuário fora do Brasil. Como esses animais não estão acostumados com o clima brasileiro e podem ser vítimas da caça e do tráfico no país, um santuário seria o destino mais seguro e adequado.

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“A minha expectativa é que eles criem, pelo menos, um ambiente transitório para que elas possam se restabelecer, ter saúde pra encarar um voo de volta para um santuário fora do Brasil, porque senão elas vão entrar nesse sistema de exploração animal”, diz a ativista ambiental, Isabele de Loys, ao RJ2.

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Fotos: Divulgação/Polícia Federal


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