Ciência

Hubble, o telescópio da Nasa, identifica algo fora do comum sobre a expansão do universo

27 • 05 • 2022 às 09:51
Atualizada em 30 • 05 • 2022 às 19:11
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Uma misteriosa discrepância descoberta entre as informações levantadas pelo telescópio Hubble sugere a existência de uma inesperada “ruga” no ritmo da expansão do universo. A misteriosa diferença entre a taxa de aceleração da expansão do universo distante, logo após o Big Bang, e do universo local, ainda não tem explicação científica, mas pode sugerir a necessidade de uma nova linha nos estudos da Física para ser compreendida, e confirma a importância dos dados coletados pelo telescópio.

Coleção de galáxias registradas oelo Hubble nos últimos 30 anos

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-Telescópio Hubble, da Nasa, localiza estrela mais distante já vista e que está há 12 bilhões de anos-luz

Segundo os estudos, informações coletadas pelo Hubble mostram que o universo está expandindo mais rápido que a previsão dos modelos interestelares. Ao invés dos 67,5 quilômetros por segundo, as observações notaram um ritmo de 73 quilômetros por segundo por megaparsec, com um megaparsec sendo igual a um milhão de parsecs, ou 3,26 milhões de anos-luz – chegando, assim, a uma nova “Constante de Hubble”.

O telescópio foi desenvolvido e lançado em 1990 também para estudar a expansão do universo

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-Última teoria de Stephen Hawking diz que universo não é infinito

“A Constante de Hubble é um número muito especial. Pode ser usado para colocar a linha na agulha entre o passado e o presente para um teste integral do nosso entendimento do universo. Isso gerou uma quantidade fenomenal de trabalho detalhado”, afirmou a cosmóloga Licia Verde, do Instituto de Ciência Cósmica da Universidade de Barcelona, em comunicado reproduzido em matéria da CNN. O estudo e a medição do ritmo da expansão do universo era uma das tarefas para as quais o Hubble foi desenvolvido e lançado, em 1990.

A espectacular galáxia NGC 2442, registrada pelo Hubble

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-Qual é o tamanho do universo? Ele respondeu de uma forma simples e acessível

Se, ao longo das últimas décadas, o telescópio foi capaz de revelar e detalhar a levada de tal expansão, ele agora revelou-se fundamental para percepção dessa inesperada “dobra” na expansão do universo. “Isso é o que o Telescópio Espacial Hubble foi construído para fazer, usando as melhores tecnologias que conhecemos para fazê-lo”, afirmou Adam Riess, professor distinto na Universidade Johns Hopkins e membro do Instituto de Ciência de Telescópios Espaciais.

As galáxias Antennae, também conhecidas como NGC 4038 and NGC 4039, estão a 45 milhões de anos-luz

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-Energia escura pode ter sido detectada pela primeira vez na história

“Esse é provavelmente a obra-prima do Hubble, porque levaria outros 30 anos de vida do aparelho para ao menos dobrar o tamanho das amostras”, disse Riess. Os primeiros estudos sobre a expansão do universo remontam aos anos 1920, quando Edwin P. Hubble, homenageado com o nome do telescópio, e Georges Lemaitre perceberam que as galáxias não estavam paradas, mas sim, moviam-se para cada vez mais longe. Tais estudos são determinantes para estimar, mais e melhor, por exemplo, a idade e o próprio funcionamento do universo desde sua origem.

O Hubble segue em operação, na órbita baixa da Terra

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