Debate

Livro revela que Hitler era usuário de cocaína, morfina, heroína e metanfetamina

Vitor Paiva - 03/05/2022 às 09:25 | Atualizada em 05/05/2022 às 10:20

O ditador nazista Adolf Hitler era um usuário voraz de drogas pesadas, consumidor até o fim de sua vida de um vasto cardápio junkie, que incluía cocaína, morfina, heroína e um tipo de psicoestimulante precursor da metanfetamina atual. Essa é a revelação central do livro “Delírio Total”, do escritor alemão Norman Ohler, que recentemente se tornou best-seller na Alemanha, e já foi traduzido para 18 idiomas, investigado a indústria de drogas e o uso massivo de substâncias durante o período nazista no país – com especial destaque para o impacto do Pervitin, espécie de metanfetamina fabricada pelos nazistas a partir de 1937.

Hitler desenvolveu uso e mesmo vício em diversas substâncias químicas e drogas

Hitler desenvolveu uso e mesmo vício em diversas substâncias químicas e drogas, segundo o livro

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Começando na República de Weimar, período político anterior à chegada dos nazistas ao poder, o livro retrata o crescimento da indústria farmacêutica alemã à época, com o país firmando-se como um dos maiores exportadores de opioides do mundo – o grande destaque de “Delírio Total”, porém, é a revelação sobre os hábitos de Hitler. Segundo Ohler comentou, em reportagem da BBC, a relação do Führer com as drogas teve início com vitaminas e glicoses, injetadas para fortalecer a saúde do ditador. Em seguida, já em 1941 – quando a guerra começa a ser perdida, principalmente diante dos russos –, Hitler migrou para hormônios, esteróides e barbitúricos, incluindo injeções de hormônios de animais, como porcos.

Embalagem de Pervitin, espécie de metanfetamina, vendida também em comprimidos desde 1937

Embalagem de Pervitin, espécie de metanfetamina, que se tornou moda a partir de 1937

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A partir do verão de 1943, segundo o autor, o abuso de substâncias pesadas por Hitler se agravou consideravelmente, incluindo uma droga chamada Eukodal, uma espécie de “primo” da heroína, analgésico derivado do ópio que produzia “um efeito eufórico muito mais potente”: consta que Hitler convenceu Mussolini a não retirar o apoio italiano ao Eixo após uma injeção de Eukodal, droga que hoje se chama Oxicodona e provoca atualmente uma verdadeira pandemia mundial de dependência química. De acordo com as pesquisas, o médico de Hitler aplicou 800 injeções durante um período de 1.349 dias, incluindo consumos em grande quantidade de cocaína misturada ao opioide.

Embalagem de Eukodal, droga equivalente ao que hoje é a Oxicodona

Embalagem de Eukodal, droga equivalente ao que hoje é a Oxicodona

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“Delírio Total” também documenta a forma como o Pervitin foi distribuído pelos nazistas aos membros de seu exército, e era consumido por toda população como a “droga da moda” no país, propagandeado como um “composto mágico” capaz de combater o cansaço e produzir euforia. “As pessoas tomavam como se tomassem café para melhorar seus níveis de energia. Doses enormes de Pervitin foram tomadas, em todos os lugares. A empresa queria que o Pervitin fosse um rival da Coca Cola”, afirma Ohler, para a BBC. Para o autor, as drogas tiveram papel importante para que Hitler se mantivesse fiel às absurdas crenças que sustentavam sua ideologia e suas decisões políticas e militares. “O que ele estava fazendo era se afastar da realidade em momentos em que deveria ter percebido o quão ilusórias e irracionais eram suas ideias de vencer o mundo inteiro”, afirmou.

O ditador utilizou as drogas para ampliar seu ânimo, fortalecer sua saúde e aguçar seus discursos

O ditador utilizou as drogas para melhorar seu ânimo, superar o cansaço e aguçar seus discursos

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© foto 1: Wikimedia Commons

© fotos 2, 3: Domínio Público/reprodução

© foto 4: Getty Images


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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