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Mulher que manteve senhora escravizada por 54 anos diz que não pagava salário ‘por considerar da família’

Redação Hypeness - 03/05/2022 às 13:26 | Atualizada em 03/05/2022 às 15:01

A família Seixas Leal, acusada de escravizar a doméstica Madalena Santiago da Silva por 54 anos, afirmou que não pagava salário à vítima por considerá-la “da família”.

Madalena passou 54 anos sofrendo com violência de família branca em Lauro de Freitas (BA)

Madalena foi resgatada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). O caso ganhou repercussão na mídia e nas redes sociais após a vítima chorar ao encostar nas mãos de uma repórter da TV Bahia. A recém-liberta afirmou que “tinha medo” de pegar na “mão branca” da jornalista Adriana Oliveira.

Durante a conversa com a jornalista, Madalena relatou diversos casos de racismo. De acordo com a empregada doméstica, a família Seixas Leal foi responsável por diversas agressões.

“Eu estava sentada na sala, ela passou assim com uma bacia com água e disse que ia jogar na minha cara. Aí eu disse: ‘Você pode jogar, mas não vai ficar por isso’. Aí ela disse: ‘Sua negra desgraçada, vai embora agora’, disse Madalena à TV Bahia.

Confira o vídeo que viralizou nas redes sociais:

Racismo de família

Após a repercussão, mais informações sobre o caso foram divulgadas à imprensa. De acordo com Sônia Seixas Leal, responsável pela escravização de Madalena, a doméstica não era paga porque era considerada “da família”.

“É uma forma que a pessoa [empregador] usa para poder não garantir os direitos da empregada doméstica. E essa trabalhadora não é da família, ela está vendendo a sua mão de obra para uma pessoa que precisa do serviço”, explica Creuza Oliveira, presidente do Sindicato das Domésticas da Bahia ao G1. “Se ela fosse da família, teria direito a herança, teria direito a usar o elevador social, piscina, fazer faculdade e estudar, como a família faz.”

– Brasil é o país onde 81% veem racismo, mas apenas 4% admitem discriminação contra negros

A família Seixas Leal submeteu Madalena a condições de trabalho análoga à escravidão por cerca de cinco décadas. Além disso, roubou aposentadorias e fez dívidas no CPF da vítima.

Atualmente, Madalena  recebe seguro desemprego e um salário mínimo graças a uma ação cautelar do Ministério do Trabalho e Previdência (MPT). A Justiça bloqueou R$ 1 milhão em bens da família Seixas Leal para indenizar a vítima por danos morais, além de verbas recisórias.

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Leia também: Racismo, escravização e as raízes da meritocracia no Brasil

 

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Fotos: Reprodução/TV Globo


Redação Hypeness
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