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Nômade Festival: 3ª edição trouxe line up 100% brasileiro com Caetano Veloso, Iza, Duda Beat e muito mais

17 • 05 • 2022 às 12:23 Gabriela Rassy
Gabriela Rassy   Redatora Jornalista enraizada na cultura, caçadora de arte e badalação nas capitais ensolaradas desse Brasil, entusiasta da cena musical noturna e fervida por natureza.

A volta dos festivais é real e já tem meu coração todinho de novo. O Nômade Festival fez sua 3ª edição neste louco 2022 ocupando o Memorial da América Latina com line up 100% brasileiro e alguns dos shows mais pedidos pelo público. Como apaixonada por essa cena tão rica, que vai de consagrados como Caetano Veloso, até novidades quentinhas como o Bala Desejo.

Como bem falou a jornalista Fabiana Pereira, Caetano é o artista que melhor se comunica com a nova geração. A idade da plateia não importa. Não há quem não se emocione com o show do mestre tropicalista que segue lançando boas faixas do alto de seus quase 80 anos. Mais do que isso, um artista que se permite beber das fontes da nova geração, como na parceria linda com Lucas Nunes no álbum “Meu Coco” ou em chamar Duda Beat ao palco para entoar “Sem samba não dá”.

Nômade Festival: 3ª edição trouxe line up 100% brasileiro com Caetano Veloso, Iza, Duda Beat e muito mais

Nômade Festival: 3ª edição trouxe line up 100% brasileiro com Caetano Veloso, Iza, Duda Beat e muito mais

A faixa cantada com Duda, que integra o mais recente disco de Caetano, já traz essa energia de quem mantém o olhar atento à sua volta. “Tem sambanejo ou pagobrejo/ Tem Ferrugem, Glória Groove, Maiara e Maraísa / Yoen, Yoen /Tem Djonga com Rogério / Mc Cabelinho, tem Baco Exu do Blues / Tem gente pra xuxu / Tem Duda Beat, Gabriel do Borel, Gabriel do Borel…”.

Iluminado por uma lua cheia, Caetano encerrou o festival por onde a própria Duda havia passado mais cedo. Em formato completo, com banda, as maravilhosas backing-vocals Camila e Luiza de Alexandre, e corpo de baile afiado compondo os brega-pop da cantora. Acompanhada pelo gogó do público, Duda cantou as faixas do mais recente “Te amo lá fora”, de 2021, além do sigle “Dar uma Deitchada”, todo trabalhado na coreografia – onde ela está arrasando por sinal.

Entre os dois shows, quem veio trabalhar a beleza e potência no palco foi Iza. Perfeita aos olhos de jah jah – e aos de todos que estavam ali -, Iza chegou num body preto com brilho e transparência, acompanhada da banda e bailarines mais lindos do mundo. A energia e conexão com o público, para quem ela olhou a fundo, deu para sentir desde a espinha.

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Apontando para pessoas em todos os lados da enorme plateia, Iza mostrava que conseguia ver todos do alto do palco. “Você aí de camisa vermelha mexendo os braços. E você fazendo esse sinal com a mão! Tu mermo!”, dizia enquanto olhava para cada um.

Sob o sol baixo e o céu lindo de outono, os Gilsons fizeram todo mundo cantar com as mãozinhas para o alto. “Várias Queixas”, “Love Love”, “Duas Cidades”, “Proposta” e outros sucessos mostraram que todo mundo sabia as letras do trio carioca. A referência ao Rio de Janeiro veio também em uma sequência de sambas que fizeram os pés do público às trabalhadoras do evento flutuarem.

Quem abriu o palco principal foi Majur com seu trabalho que transita entre ancestralidade e afrofuturismo. Uma artista que merece mais destaque na cena, ela trouze também show completo, com direito a banda e baile. A potência em pessoa, Majur fez um show redondinho, delicioso, que abraçou o público naquela tarde linda de sol.

Além da programação do festival feita pela Agência InHaus, uma rampa lateral levava a outro ambiente, também ao ar livre, com bares, redário e outro palco. Ali, o Nômade Festival convidou o Festival Bananada, que há mais de 20 anos leva o frescor da cena musical para Goiânia, para fazer a curadoria artística. Na seleção fina entraram Pluma, Tuyo, Urias e Bala Desejo. Esta última recém lançada, mas já com presença confirmada em um tanto de festivais ao longo do ano.

Quarteto formado por Dora Morelenbaum, Julia Mestre, Zé Ibarra e Lucas Nunes – lembra dele com Caetano? -, o Bala Desejo tem uma energia linda em cena. Aquele som que parece que você já ouviu, um quê de Rita Lee e Mutantes, com a malemolência jovem carnavalesca. Dias de folia que vão ainda te pegar – se é que já não pegou!

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Depois de tantos anos em casa, me sinto bem vinda à rua. À música na rua. Aos bons ventos que sopram e trazem a cultura de novo para perto – olhando nos olhos, como Iza – do público. E pedindo fortemente um grande FORA a quem não valoriza a arte, a cultura (e a vida). Vida longa, Nômade!

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Fotos destaque: Duda Beat, Majur e Iza por Anne Karr
Caetano Veloso, Bala Desejo e geral Festival Nômade por Gabriela Rassy


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