Debate

Novo dono do Twitter, Elon Musk ajudaria a resolver a fome no mundo com 2% de fortuna, diz ONU

Vitor Paiva - 02/05/2022 às 10:15 | Atualizada em 04/05/2022 às 10:18

A notícia recente de que Elon Musk investiu 44 bilhões de dólares, equivalente a cerca de 215 bilhões de reais, para comprar a rede social Twitter, abriu o debate sobre o que algumas das pessoas mais ricas do mundo poderiam fazer para ajudar a combater os grandes problemas humanitários do planeta – a começar pela fome. O valor exorbitante do investimento, diante das possibilidades positivas que as maiores fortunas do mundo poderiam promover, trouxe novamente à tona uma série de postagens ocorrida no final do ano passado, após o diretor do Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas, David Beasley, em uma entrevista, comentar sobre como “apenas” 2% da fortuna de Musk poderiam ajudar a salvar a vida de milhões de pessoas que provavelmente perderão a vida por não terem o que comer.

O empresário Elon Musk, o homem mais rico do mundo, e mais novo dono do Twitter

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Segundo Beasley comentou no programa Connect the World, da CNN, em novembro de 2021, é urgente que os superbilionários, como Musk e Jeff Bezos, dono da Amazon, movimentem-se “agora, uma única vez”, para promover uma ajuda considerável no combate à fome. “6 bilhões de dólares para ajudar 42 milhões de pessoas que literalmente morrerão se não as alcançarmos. Não é complicado”, confirmou o diretor da ONU. “6 bilhões de dólares não irão resolver a fome mundial, mas irão prevenir instabilidades geopolíticas, migração em massa, e salvar a vida de milhões de pessoas à beira da inanição”, acrescentou, em resposta a um tweet de Musk, que é o homem mais rico do mundo, com um patrimônio calculado em cerca de 289 bilhões de dólares.

David Beasley recebendo o Nobel da Paz para o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas

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Após a entrevista de Beasley, ainda no final do ano passado, Elon Musk respondeu no Twitter ao chamado em tom de provocação: “Se o PMA puder descrever neste tópico do Twitter exatamente como US$ 6 bilhões resolverão a fome mundial, venderei ações da Tesla agora e farei isso”, escreveu o bilionário. Ainda no Twitter, em resposta, Musk acrescentou que o plano precisava ter “uma contabilidade de código aberto” para que o público pudesse ver exatamente como o dinheiro seria gasto. O PMA então preparou o plano, detalhando, em um documento postado por Beasley, que, do montante sugerido, 3,5 bilhões de dólares seriam para a compra e entrega direta de alimentos, 2 bilhões iriam “em dinheiro e vales-alimentação (incluindo taxas de transação) em locais onde os mercados podem funcionar”, 700 milhões seriam gastos para a gerencia de novos programas alimentarem adaptados a cada país, para garantir que a assistência alcance os mais vulneráveis, e 400 milhões seriam investidos para “gerenciamento de operações, administração e responsabilidade e coordenação da cadeia de suprimentos”.

Segundo Beasley, 2% da fortuna de Musk mudariam o quadro da fome mundial

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“Esta crise de fome é urgente, sem precedentes. E evitável”, escreveu Beasley em um tweet no qual marcou Musk, à época. “Você pediu um plano claro e livros abertos. Aqui está! Estamos prontos para falar com você — e qualquer outra pessoa — que esteja falando sério sobre salvar vidas”, concluiu o diretor do PMA. Em fevereiro de 2022, foi noticiado que Musk teria doado 5,7 bilhões de dólares à “caridade”, sem confirmar qual teria sido o destino da doação – o Programa da ONU, que venceu o Nobel da Paz em 2020, esclareceu, no entanto, que até então não havia recebido qualquer doação do empresário. Os 44 bilhões de dólares investidos por Musk para adquirir o Twitter são maiores que o PIB de diversos países, como Bolívia, Paraguai, Islândia, Líbia, Camarões, Letônia, e quase dez vezes maior que o da Somália, um dos países mais pobres do mundo, que somou, em 2020, 4,9 bilhões de dólares em seu Produto Interno Bruto.

O valor pago por Musk pelo Twitter é maior que o PIB de diversos países do mundo

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© foto 1: Wikimedia Commons

© fotos 2, 3, 4: Getty Images


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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