Sustentabilidade

Novo recorde de desmatamento da Amazônia é batido em abril

Vitor Paiva - 11/05/2022 às 10:13

O mês de abril registrou um novo recorde negativo de desmatamento na Amazônia, com um total de 1.013 km² de área devastada na região, em aumento de 74,6%, comparado com o mesmo período em 2021. A informação foi divulgada no dia 6 de maio a partir de dados do Sistema Deter, do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), e representa destruição de área equivalente a 138.957 campos de futebol padrão FIFA para competições internacionais, somente entre os dias 1º e 29 de abril, no quarto mês consecutivo em que os alertas de desmatamento seguem concentrados nos estados do Amazonas, Pará e Mato Grosso.

Desmatamento na região de Lábrea, no Amazonas, registrado em 26 de março de 2022

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De acordo com os dados, 34,2% dos alertas de desmatamento se deram no Amazonas, 28,3% no Pará, e 23,8% no Mato Grosso, apontando grandes polígonos de desmatamento observados nas imagens de satélite. O maior dos polígonos foi detectado em Altamira, no Pará, com 1358 hectares de desmatamento – o segundo maior foi registrado em Lábrea, no Amazonas, estado no qual também foi registrado um polígono de 850 hectares em Apuí. O levantamento mostra que Pará, Mato Grosso e Amazonas concentraram, em seus territórios, 86,3% de todo o desmatamento registrado na região da Amazônia Legal em abril.

A dimensão dos desmatamentos ao longo dos anos, segundo dados do INPE

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Uma reportagem sobre o tema no site do Greenpeace mostra projetos de lei recentes que buscam alterar o Código Florestal, a fim de flexibilizar o controle e facilitar o desmatamento, como o PL 2374/2020, do Senador Irajá Abreu (PSD/TO) que, se aprovado, irá anistiar quem realizou desmatamento ilegal entre julho de 2008 e maio de 2012 – como um dos muitos projetos que, no Governo Bolsonaro, vem abrindo espaço para “passar a boiada” e agravar o desmatamento no país. “É preciso de uma vez por todas frear este mecanismo que vem sucateando os órgãos públicos e investir em fiscalização ambiental se quisermos realmente manter a maior floresta tropical do mundo em pé”, afirmou André Freitas, coordenador de Amazônia do Greenpeace Brasil.

Detalhe de desmatamento de 2.300 hectares no Amazonas

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“As ações de comando e controle são muito importantes como um meio de promover o estancamento imediato da sangria do desmatamento e manutenção dos direitos humanos, mas para além disso, são necessárias ações coordenadas dos órgãos públicos nas três esferas e uma discussão séria e imprescindível sobre uma transição de modelo de desenvolvimento que perceba atividades capazes de conviver de forma harmônica com a floresta em pé”, afirmou, em reportagem que lembra que, segundo o Global Forest Watch, 40% do total de florestas tropicais desmatadas no mundo em 2021 se deu no Brasil. “Com a certeza da impunidade, o que já está ruim tende a piorar caso projetos de leis que visam legalizar a grilagem de terras, flexibilizar o licenciamento ambiental e abrir terras indígenas para mineração sejam aprovados na Câmara e no Senado”, concluiu Freitas.

Desmatamento da Floresta Nacional do Iquiri, também em Lábrea

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© fotos 1, 3: Christian Braga/Greenpeace

© foto 2: INPE/reprodução

© foto 4: Wikimedia Commons


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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