Inovação

Projeto de lei quer fazer de Exu patrimônio do Rio de Janeiro

Vitor Paiva - 03/05/2022 às 09:25 | Atualizada em 05/05/2022 às 10:20

Depois do emocionante título conquistado pela Acadêmicos do Grande Rio, homenageando Exu, no carnaval de 2022, o orixá poderá ser reconhecido como patrimônio do Rio de Janeiro. Essa é a proposta do projeto de lei apresentado pelo vereador Átila A. Nunes, do PSD, para ajudar a combater o preconceito contra a entidade e as religiões de matriz africana. O PL 9441 foi protocolado na Câmara Municipal da cidade no dia 27 de abril, um dia depois da escola de samba de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, conquistar o primeiro título do Grupo Especial em sua história, com o enredo “Fala, Majeté! As sete chaves de Exu”.

A Grande Rio homenageou o orixá no desfile que se sagrou campeão em 2022

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Segundo o vereador, grande parte do preconceito contra Exu surge de uma associação equivocada entre a entidade e a figura do diabo no imaginário cristão. “Infelizmente muitos distorcem o que seria o significado de Exu por conta de desconhecimento. O preconceito é filho da ignorância, no sentido de ignorar, desconhecer. A Grande Rio deu essa contribuição única quando trouxe o tema do Exu, num desfile certamente histórico, quase que incentivando e estimulando a fazer esse movimento de romper com esse preconceito e, de alguma forma, levar para a sociedade, mesmo que pelo simbolismo da arte, do carnaval ou de um projeto de lei”, afirmou Nunes.

Demerson D'Álvaro, ator interpretando Exu no desfile que emocionou - e conquistou - o carnaval

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O Projeto de Lei agora seguirá para duas votações no Plenário da Câmara Municipal do Rio e, se for aprovado, será enviado para a sanção do prefeito Eduardo Paes – o vereador disse que espera contar com a Casa para que o PL seja aprovado. “O Rio é uma cidade que tem espaço e ambiente para receber a todas as correntes religiosas com tolerância e respeito. É aquela máxima: ‘respeite o meu axé também’”, afirmou Nunes. Uma das principais entidades do candomblé e da umbanda, Exu é considerado “o mais humano” dos orixás, ligado à comunicação, ao equilíbrio, à motivação, à sexualidade e ao amor.

As tradições do candomblé se fizeram presentes em todo o desfile da Grande Rio

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“Com muita coragem, a escola de Duque de Caxias levou para a Sapucaí um desfile que fala dos Exus, que tanto são olhados de uma forma completamente errada. Eles nada mais são do que protetores. Temos que respeitar aqueles que têm nos Exus os seus protetores”, escreveu o vereador, em suas redes sociais, após o título da Grande Rio. “E tenho certeza de que a Grande Rio deu uma lição e, por coincidência ou não, ganhou e foi brindada com essa vitória, que carrega uma mensagem de rompimento do preconceito religioso”, concluiu o vereador.

Axé: a vitória da Grande Rio inspirou o projeto de lei para tornar Exu um patrimônio carioca

Axé: a vitória da Grande Rio inspirou o projeto de lei para tornar Exu em um patrimônio carioca

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© fotos: Getty Images


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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