Debate

Quem são os 8 oligarcas russos mortos em circunstâncias suspeitas nos últimos meses

19 • 05 • 2022 às 10:15
Atualizada em 19 • 05 • 2022 às 19:02
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Uma série de mortes de oligarcas russos que vem ocorrendo desde o início de 2022 atualmente intriga a polícia e a opinião pública do país: desde o final de janeiro, oito bilionários, a maioria ligada às indústrias de gás e petróleo, foram encontrados sem vida e em circunstâncias consideradas suspeitas e misteriosas, muitas vezes vitimando também outras pessoas de suas famílias.

O caso mais recente envolveu o bilionário Alexander Subbotin, magnata da energia de 43 anos, encontrado morto na casa de um xamã no dia 8 de maio, sob suspeita de ter se intoxicado com veneno de sapo em suposto ritual: antes, porém, sete outros oligarcas aparecerem mortos de forma brutal em apenas 3 meses no país.

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Oligarcas russos mortos 

O primeiro incidente da série aconteceu em 30 de janeiro, quando Leonid Schulman, diretor da empresa de gás Gazprom, de 60 anos, foi encontrado morto na banheira de casa, em São Petersburgo, próximo a uma carta que sugeria suicídio. Em 25 de fevereiro, Alexander Tyulyakov, também gerente na Gazprom, foi encontrado enforcado, aos 61 anos, na garagem de um chalé, também em São Petesburgo.

Três dias depois, em 28 de fevereiro, o ucraniano Mikhail Watford, empresário de 66 anos que fez fortuna com gás e petróleo, foi encontrado morto em sua casa no condado de Surrey, na Inglaterra, em caso ainda sob investigação pela polícia inglesa.

Vasily Melnikov, morto em 24 de março, era dono da Medstom

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A morte de Vasily Melnikov aconteceu em 24 de março, e revelou-se uma das mais trágicas: além do corpo do empresário, dono da Medstom, empresa de fornecimento de equipamentos e insumos hospitalares, também foram encontrados sem vida seus filhos e sua mulher: a polícia não sabe se foi um caso de assassinato ou se o próprio Melnikov matou a família e tirou a própria vida.

E a sequência seguiu, com dois novos casos misteriosos em apenas 24 horas do mês de abril: no dia 19, o ex-vice-presidente da empresa de gás natural Novatek, Serguei Protosenya, de 55 anos, em sua mansão na Catalunha, na Espanha, ao lado dos corpos de sua mulher e sua filha.

Serguei Protosenya tinha 55 anos e morava na Espanha

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A polícia suspeita que Protosenya esfaqueou as duas e se enforcou no jardim, mas o corpo do homem não tinha traços de sangue, e seu filho afirmou que a hipótese do pai as ter matado era impossível.

No dia seguinte, em 20 de abril, o multimilionário Vladislav Avayev, de 51 anos, foi encontrado morto em circunstâncias quase idênticas, ao lado dos corpos de sua mulher e filha de 13 anos, em cena que sugere que o empresário teria matado a família e tirado em seguida a própria vida com uma pistola. Avayev colaborou com o Kremlin, e foi vice-presidente do Gazprombank, um dos mais importantes bancos da Rússia.

Andrei Krukovsky tinha 37 anos e morreu em 2 de maio

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Já em maio, o sétimo caso aconteceu no dia 2, quando o empresário Andrei Krukovsky, de 37 anos, diretor-geral do resort de ski de Krasnaya Polyana, gerido pela Gazprom, caiu de um penhasco na cidade de Sochi e morreu. Todos os casos seguem em investigação e, apesar das suspeitas de que as mortes tenham sido forjadas e que possam ter relação com o Kremlin e a invasão russa contra a Ucrânia, ainda não há maiores conclusões sobre a misteriosa série de mortes.

Empresa de maioria estatal, a Gazprom recentemente ganhou as notícias por seguir exportando gás para a Europa através da Ucrânia – 40% do gás natural do continente vinha da Rússia até o conflito. Nenhum dos empresários que morreram apresentou posições públicas contrárias à guerra, nem constavam em listas de sanções internacionais.

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© fotos: Twitter/reprodução


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