Inspiração

Rede internacional conecta advogadas a mães em busca de suporte legal

16 • 05 • 2022 às 10:19
Atualizada em 18 • 05 • 2022 às 09:12
Redação Hypeness
Redação Hypeness Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

A rede internacional de feminismos ELLA lançou o CAUSA – Rede de Cuidados para Maternidade. Na contramão das retrógradas propostas federal da Cartilha da Gestante, a iniciativa vai conectar advogadas e mães que necessitem de suporte legal e outros processos jurídicos dentro da área de família.

Além de advogadas que queiram disponibilizar seu tempo e trabalho pro bono para dar suporte a quem necessita, a convocatória mobiliza também mães ou homens trans em processo de paternidade. As inscrições estão abertas por tempo indeterminado.

A realidade das mães é adversa – 11,5 milhões de mães do Brasil não contam com auxílio dos pais de seus filhos. Os dados são do Instituto Locomotiva, que também aponta que 35% das mães solo não tiveram renda suficiente para comprar alimentos e 31% não conseguiram adquirir itens de higiene básica durante a pandemia.

O IBGE registra que dessas mães solo, 7,4 milhões são mulheres negras. Segundo o CNJ, temos 5,5 milhões de crianças sem o nome do pai no registro de nascimento. As pesquisas em torno da maternidade LGBT são irrisórias.

—Maternidade solo e pandemia: ‘Vizinhas juntaram o que tinham e trouxeram para mim’

A proposta também é discutir a narrativa do que é ser mãe no Brasil – já que no 2º domingo de maio, data comemorada do dia “Dia das Mães”, os meios de comunicação são inundados de campanhas publicitárias que retratam mulheres dentro do padrão branco, cis e heteronormativo – e obrigatoriamente felizes. A CAUSA é um passo em direção a uma nova realidade para as mães brasileiras, pelo direito de ser mãe e mulher.

Além de mães, usualmente vistas como mulheres cis, a convocatória também se extende para homens trans, mulheres trans, travestis, pessoas não binárias, principalmente inscrições racilizadas e periféricas.

Durante o processo as advogadas serão contatadas a cada dez dias para os próximos passos, incluindo possíveis processos de formação. Já as mães serão contatadas, a partir de 30 dias de abertura desta chamada, tempo mínimo necessário para avaliação das profissionais parceiras.

A convocatória completa está disponível em http://planetaella.org/causa

—A primeira advogada do Brasil foi uma mulher negra: a história de Esperança Garcia

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fotos: getty images


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