Inspiração

A história do pai que adotou o filho da ex que morreu de câncer

14 • 06 • 2022 às 09:49
Atualizada em 17 • 06 • 2022 às 09:32
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

O gaúcho Rodrigo Medina Lopes criou Bruno, de 11 anos, como seu filho desde pequeno, mas só recentemente concluiu o processo de adoção – e o emocionante vídeo em que dá a notícia ao pequeno viralizou nas redes sociais, e pode ser visto aqui.

Bruno era filho biológico de Rejane Carneiro, que faleceu em 2013, com quem Rodrigo foi casado e teve a filha Luana. O casal se separou depois de 12 anos de relacionamento, mas mantiveram o companheirismo e o amor: anos depois, quando Rodrigo soube que ela seria mãe solo, ele prontamente se disponibilizou a cuidar do novo irmão de sua filha como se fosse seu.

Bruno ao lado de seu pai, Rodrigo - agora reconhecido oficialmente como tal

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Desde o início, Rejane queria que Rodrigo fosse o pai do segundo filho que desejava ter, mas as circunstâncias e a distância impediram o plano.

Em seguida ela engravidou de um breve relacionamento com um homem que não quis assumir a paternidade: quando Bruno nasceu, em dezembro de 2010, e teve uma dermatite atópica que o levou ao hospital, Rodrigo teve certeza de que iria criar o menino. Em agosto do ano seguinte, Rejane descobriu um câncer: dois anos depois, ela viria a falecer, mas não sem antes garantir que os irmãos não seriam separados – e que Rodrigo ficaria com seu filho.

O pai criou o menino desde muito pequeno

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“No leito paliativo, ela disse que me amava muito, que nunca deixou de me amar, e que só iria em paz se o Bruno ficasse comigo. Chamou a mãe, as irmãs, e disse que se acontecesse alguma coisa com ela, que ele ficasse comigo, pra não separar irmão e irmã”, recorda o pai, emocionado, em reportagem do G1.

O processo de adoção durou quase uma década, durante a qual ele enfrentou dezenas de entrevistas com psicólogos e assistentes sociais enquanto criava Bruno.

Quando Rejane ficou doente, Rodrigo se comprometeu a cuidar do pequeno

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Foi quando pediu autorização para realizar uma viagem recente com o filho que ele soube que a adoção havia saído – e que ele não precisava mais de autorização. Rodrigo faz questão de que o filho conviva com a família materna e com sua irmã, que atualmente estuda Biologia e mora com o marido em Porto Alegre.

“Eu faço muito essa indução para o ensino cognitivo do Bruno, da parte lúdica, para entender que é normal, que ela partiu mas deixou uma base toda”, afirma o pai. No vídeo, Rodrigo mostra para Bruno sua nova certidão de nascimento – com seu nome e sobrenome incluídos.

A confirmação da adoção veio a partir de um pedido para realizar uma viagem com o menino

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Rodrigo e Rejane se conheceram ainda na escola, aos 14 anos, e se casaram aos 18 – quando se separaram, com 30 anos e uma filha, puderam conversar bastante, e manter a proximidade e o afeto: até hoje ele reconhece que Rejane é e sempre será a mulher de sua vida.

O afeto por Bruno, porém, vai além, como de fato o amor de pai que é, e que leva Rodrigo hoje a pensar em adotar, nos próximos anos, uma outra criança. “As pessoas ficam chocadas porque eu adotei o filho da ex, não porque adotei uma criança. Falam muito: ‘isso é homem de verdade’. Não, não é. É a história do meu desejo de cuidar do Bruno”, ele afirma.

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“Hoje saiu a certidão da adoção. Foi o dia mais feliz da minha vida. Esperamos 9 anos por isso. Registrei para ele nunca esquecer desse momento só meu e dele”, escreveu Rodrigo, no post em que compartilhou o vídeo.

“Conseguimos, filho. Adotar é o maior amor. É amar e assumir um filho que nasceu pra mim… E não feito por mim. Te amo filho e não imagino minha vida sem você ao meu lado”, concluiu. A reportagem do G1 Rio Grande do Sul assinada por Matheus Beck pode ser lida aqui.

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© fotos: Rodrigo Medina Lopes/arquivo pessoal/reprodução


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