Diversidade

A maior Parada LGBT+ do mundo volta para a Avenida Paulista com Pabllo Vittar e Ludmilla

20 • 06 • 2022 às 15:26 Gabriela Rassy
Gabriela Rassy   Redatora Jornalista enraizada na cultura, caçadora de tendências, arte e conexões no Brasil e no mundo. Especializada em jornalismo cultural, já passou pela Revista Bravo! e pelo Itaú Cultural até chegar ao Catraca Livre, onde foi responsável pelo conteúdo em agenda cultural de mais de 8 capitais brasileiras por 6 anos. Roteirizou vídeo cases para Rock In Rio Academy, HSM e Quero Passagem, neste último atuando ainda como produtora e apresentadora em guias turísticos. Há quase 3 anos dá luz às tendências e narrativas culturais feministas e rompedoras de fronteiras no Hypeness. Trabalha em formatos multimídia fazendo cobertura de festivais, como SXSW, Parada do Orgulho LGBT de SP, Rock In Rio e LoollaPalooza, além de produzir roteiros, reportagens e vídeos.

A 26ª Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo voltou a ocupar a Avenida Paulista em uma edição histórica. Seja pelos 2 anos de pausa forçada, seja pelo line up poderoso ou pela nada modesta multidão de 4 milhões de pessoas, o evento é um marco para a cidade e para a luta da comunidade LGBT+ por direitos, respeito e representatividade.

Levei meu olhar de quem conhece bem nossa emblemática avenida, palco de importantes manifestações e comemorações ano após anos, e a própria Parada, que acompanho desde os 11 anos com minha família, para mais uma vez acompanhar esse momento de luta e de glória.

A Parada SP vai ganhando mais letras conforme a comunidade evolui e se entende no mundo. De Parada Gay, ela se tornou LGBTQIA+ – e sem previsão para concluir a extensa sigla. Ela aumenta como um abraço de mãe que não pode deixar ninguém de fora e cresce em potência. Como é lindo ver grupos de amigos gays, lésbicas, trans, não-binários, entre tantas possibilidades de gênero e sexualidade, emanando a alegria de ocupar, de amar, de mostrar pro mundo que podem cada vez mais.

O clima frio e a previsão de chuva não assustaram o público que acompanhou os 19 trios elétricos que desfilavam naquele domingo. Até o sol inesperadamente deu as caras, mas não tinha quem se preocupasse com o tempo em meio à multidão aquecida.

Ludmilla foi uma das primeiras artistas a se apresentar, mandando ver no pagode e nos clássicos da carreira. Chamou Pepita, que também se apresentaria no mesmo trio, para seu lado durante a faixa “Por Causa de Você”, canção da Kelly Key que integra o álbum Numanaice. Na sequência chamou sua esposa Bruna Gonçalvez para dançar juntinho ao som de “Maldivas”.

Liniker subiu no trio toda trabalhada no dourado para apresentar seu belíssimo “Indigo Borboleta Anil”, com o público cantando a faixa “Beibe 95” em plenos pulmões – eu inclusive! Luisa Sonza, que doou o cachê para a Associação da Parada SP, Aretuzza Love, JoJo Todinho, Majur e o grupo de drags Pitayas botaram todo mundo para dançar na avenida. Pabllo Vittar subiu no carro da Diretoria APOLGBT-SP, que fechava o evento, e entregou tudo em uma apresentação com direito bailarinos e grandes hits.

—Parada LGBTQIAP+: fotos mostram como foram as primeiras edições da marcha em NY

Vote com Orgulho

O tema da Parada deste ano foi “Vote com Orgulho – Por uma Política que Representa” e, em pleno ano de eleições, a política foi pauta em todos os trios elétricos que passaram pela Paulista. “É um prazer imenso retornar às ruas e reforçar ao público da sua responsabilidade em apoiar representantes que estejam comprometidos com um Brasil mais justo e igualitário. É por isso que endossamos na nossa campanha a necessidade de atenção com as eleições que se aproximam”, afirma Claudia Garcia, presidenta da ONG.

Inúmeros manifestantes desfilaram com placas e cartazes contra o atual presidente Jair Bolsonaro, que vem proferindo comentários homofóbicos desde antes de sua eleição, em 2018. Mais uma vez a deputada Marielle Franco, assassinada pelo policial reformado e vizinho de Bolsonaro Ronnie Lessa e pelo ex-policial militar Élcio Queiroz, também em 2018, foi lembrada no evento. As famosas toalhas do ex-presidente e candidato Lula também estampavam toda a extensão da marcha.

Diversos políticos marcaram presença na 26ª Parada LGBT+ de São Paulo. A vereadora Erika Hilton (PSOL), as deputadas Erica Malunguinho e Sâmia Bonfim, o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), Guilherme Boulos (PSOL), além da ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy, compareceram e entoaram críticas ao governo. O prefeito Ricardo Nunes não deu as caras, sendo o segundo em duas décadas a não participar do evento. O primeiro foi João Dória que, em 2017, mandou o vice Bruno Covas em seu lugar.

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