Ciência

As baratas estão evitando comer doces e ficando mais resistentes aos inseticidas

10 • 06 • 2022 às 14:52
Atualizada em 14 • 06 • 2022 às 09:57
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Jornalista, escritor e músico, Vitor Paiva é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade.

Um novo estudo sugere que as baratas vêm evitando o consumo de doces em nome da própria sobrevivência. O motivo, porém, não se dá em defesa de uma dieta mais saudável e esbelta ou pelo controle de níveis de açúcar recomendado, mas sim como adaptação, em prova de que a evolução acontece com todos os animais do planeta. De acordo com a pesquisa, realizada por cientistas dos EUA, esses insetos passaram a evitar o açúcar como forma de driblar os inseticidas e demais venenos humanos, normalmente misturados com líquidos doces – em mudança que vem alterando até mesmo a forma como as baratas se reproduzem.

barata

A dieta das baratas vem evoluindo, e permitindo que o inseto resista aos inseticidas humanos

-Barata está evoluindo para se tornar imune a inseticidas, diz estudo

A insistência da humanidade nos líquidos doces misturados com inseticidas para atrair e combater os insetos disparou um processo de adaptação: as baratas que não tinham preferência por sabores doces evitaram as armadilhas, e sobreviveram por tempo suficiente para se reproduzirem e passarem esse bom hábito às novas gerações. “Quando pensamos em evolução, geralmente imaginamos animais selvagens, mas, na verdade, também está acontecendo com pequenos animais que vivem em nossas cozinhas”, afirmou Ayako Wada-Katsumata, entomologista da Universidade Estadual da Carolina do Norte, em matéria do New York Times.

O estudo trabalhou com a barata alemã, espécie encontrada em todo o planeta

O estudo trabalhou com a barata alemã, espécie encontrada em todo o planeta

-Fóssil de inseto assassino de 50 milhões de anos preserva genitália

O estudo foi publicado na revista Communications Biology, e detalhou o efeito dessa adaptação também sobre a reprodução das baratas. Pois parte do processo de “sedução” consiste em uma oferta de açucares e gorduras que o inseto macho espreme de sua glândula tergal e, enquanto a fêmea se alimenta, ele utiliza seus dois pênis para copular. Acontece que, diante das mudanças notadas pela pesquisa, as fêmeas que rejeitam os sabores mais açucarados também vêm rejeitando o “doce” oferecido pelo macho para a reprodução. O estudo foi realizado com a barata alemã, espécie encontrada em todo o planeta, menos na Antártida.

A barata alemã, de nome científico Blatella germanica, vem morrendo menos pelos inseticidas doces

A barata alemã, de nome científico Blatella germanica, vem resistindo aos inseticidas doces

-Cachorros aprenderam a fazer ‘cara de dó’ com a evolução, aponta estudo

Essa rejeição, porém, não impede que a reprodução aconteça, já que a solução, segundo o estudo, encontrada pelas baratas macho é realizar a transição entre o cortejo e o sexo mais rapidamente – e, assim, essas baratas resistentes seguem se reproduzindo aos montes. Em resumo, portanto, as necessidades humanas também interferem na evolução de outros animais – até mesmo os que mais costumamos desprezar. A boa notícia é que os pesticidas também evoluem, e fabricantes já começaram a adaptar suas fórmulas, a fim de também capturar os insetos que cortaram o doce de suas preferências.

Casal de baratas copulando na natureza

Casal de baratas copulando na natureza

Publicidade

© foto 1, 3: Wikimedia Commons

© foto 2: Pixabay

© foto 4: Getty Images


Canais Especiais Hypeness