Arte

Asparagus: fantasia psicossexual surreal de 18 minutos da animadora e pintora Suzan Pitt

29 • 06 • 2022 às 10:13
Atualizada em 01 • 07 • 2022 às 10:21
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

A pintora estadunidense Suzan Pitt é uma artista aclamada desde os anos 1960 como uma das mais interessantes e singulares animadoras da história, e tem em “Asparagus” sua obra-prima. Desenhada como uma metafórica fantasia psicossexual de 18 minutos, a animação estreou em 1979 como uma instalação no museu Whitney, em Nova York, para ser reconhecida, segundo a crítica da época, como “um dos mais importantes trabalhos de imaginação vistos em muito tempo”.

A animação de Pitt é um grande poema visual sobre sexualidade e identidade

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O desenho animado é conduzida por uma personagem cujo rosto jamais aparece, mas que atravessa uma verdadeira jornada, da intimidade de um banheiro para um jardim psicodélico para assistir suas visões e imaginações sendo projetadas diante de um grande público. Tudo em “Asparagus” é apresentado sob forte tonalidade metafórica, erótica e simbólica, como um sonho feminino e feminista, um “conto de fadas para adultos”. O filme está disponível em HD no Youtube.

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Segundo a própria Pitt conta em seu site, a inspiração para a animação veio de uma plantação de aspargos que ela tinha, e que “saia do chão como um talo fálico, pontudo, verde e roxo, como a essência da bela forma masculina”. Quando vinha o verão, porém, o “talo” se transformava em uma planta delicada com cabelos compridos que dançava ao vento, tornando-se na essência feminina. “Eu achei um lindo símbolo da sexualidade, e a partir disso, criei um poema visual sobre as forças criativas que movem nossa existência”, escreveu a artista.

A relação com os aspargos que batizam o filme é apresentada de forma fálica e simbólica

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“Asparagus” viria a conquistar prêmios em festivais por todo o mundo, e por dois anos dividiu as salas de cinema com o clássico “Eraserhead”, de David Lynch, em exibições conjuntas que costumavam acontecer à meia-noite em cinemas e museus de Los Angeles. Suzan Pitt foi professora em Harvard, e atualmente vive no Novo México, reconhecida como uma das mais influentes artistas da animação dos EUA.

As identidades femininas e sexuais são parte do repertório de signos de "Asparagus"

As identidades femininas e sexuais são parte do repertório de signos de “Asparagus”

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© fotos: Susan Pitt/Youtube/reprodução


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