Ciência

Cabeça de mármore de Hércules é encontrada em navio romano que naufragou há 2 mil anos

24 • 06 • 2022 às 10:11 Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Arqueólogos recuperaram recentemente a cabeça de mármore de uma estátua de Hércules no famoso naufrágio de um navio romano em Anticítera, na Grécia. A descoberta foi anunciada no último dia 20 de junho, como parte de um projeto que explora a embarcação afundada, encontrado na costa grega há 120 anos como um dos mais ricos naufrágio antigos da história.

A cabeça de Hércules, em mármore, encontrada no fundo do mar grego

A cabeça de Hércules, em mármore, encontrada no naufrágio no fundo do mar grego

-Navio naufragado mais antigo do mundo é descoberto no Mar Negro

A cabeça é parte de uma estátua do semideus Hércules, nome romano da entidade da mitologia grega Héracles, recuperada em 1900, durante a descoberta do navio. Com uma grande barba e um cabelo curto, a cabeça tem cerca do dobro do tamanho natural, e foi encontrada junto de um pedestal de outra estátua entre partes do naufrágio, após a retirada de três pedras de 8,5 toneladas cada, a uma profundidade de 50 metros.

A peça tem cerca de o dobro do tamanho natural de uma cabeça humana

A peça tem cerca de o dobro do tamanho natural de uma cabeça humana

-Estatueta encontrada na Grécia teria sido presente a Zeus há mais de 2 mil anos

“É tão profundo que eles não conseguem ficar lá por mais de 30 minutos. Mas o importante é que agora temos uma ideia do que está escondido sob as rochas”, afirmou Lorenz Baumer, arqueólogo supervisor do projeto Return to Antikythera, em parceria com a Universidade de Genebra, em entrevista ao jornal inglês The Guardian. “Cada descoberta nos ajuda a reunir mais contexto em nossa compreensão do navio, sua carga, a tripulação e de onde eles eram”, disse.

Registro da primeira expedição que encontrou o naufrágio de, em 1900

Registro da primeira expedição que encontrou o naufrágio de Anticítera, em 1900

-Mergulhadores vasculham naufrágios de escravos para descobrir antepassados

A retirada das pedras permitiu à expedição acessar uma área nunca antes explorada do naufrágio, e, além da parte da estátuas e dos restos da embarcação, foram também encontrados dois dentes humanos, incrustados em depósitos marinhos. Os dentes serão enviados para análise genética, para buscar esclarecer quem eram os tripulantes. A embarcação era provavelmente um navio mercante, que viajava do Mediterrâneo para Roma, e teria afundado por conta de uma tempestade na região.

A noite na ilha de Anticítera, ao sul da Grécia

A noite na ilha de Anticítera, ao sul da Grécia

-Como era o cardápio e os hábitos alimentares no antigo Império Romano?

Anticítera é uma pequena ilha ao sul da Grécia, situada entre Citera e Creta, e se tornou especialmente famosa após a descoberta do naufrágio, em 1900. Dos restos do navio submerso foram retiradas estátuas e objetos romanos em excelente estado, mas o mais famoso artefato recuperado do naufrágio é a Máquina de Anticítera, um mecanismo criado no século I Antes da Era Comum para prever posições astronômicas, considerado o mais antigo computador da história.

O mecanismo conhecido como "Máquina de Anticítera" foi descoberto no naufrágio

O mecanismo conhecido como “Máquina de Anticítera” foi descoberto no naufrágio

Publicidade

© foto 1: Nikos Giannoulakis/Antikythera Press Release

© foto 2: Orestis Manousos/Antikythera Press Release

© fotos 3, 4, 5: Wikimedia Commons


Canais Especiais Hypeness