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Caso Miguel: Sari Corte Real é condenada a 8 anos. Mirtes, mãe da criança, iniciou curso de direito para fazer Justiça

01 • 06 • 2022 às 15:43
Atualizada em 02 • 06 • 2022 às 18:38
Redação Hypeness
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Nesta terça-feira (31), Sari Corte Real foi condenada a 8 anos e meio de prisão por abandono de incapaz com resultado morte. Ela foi a responsável pela morte de Miguel Otávio de Santana, de 5 anos de idade, em 2 de junho de 2020, em um condomínio de luxo em Recife (PE).

A esposa do político Sérgio Hacker (PSB) foi omissa com o filho de Mirtes Santana, doméstica que trabalhava na casa. Mirtes foi passear com o cachorro da condenada. Enquanto isso, ela estava fazendo as unhas. Ao não cuidar de Miguel, ela permitiu que a criança caísse do 9º andar do edifício.

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Na decisão do juiz José Renato Bizerra, titular da 1ª Vara dos Crimes contra a Criança e o Adolescente da Capital, está descrito que Sarí pode recorrer em liberdade ao crime que matou a criança negra de cinco anos de idade.

Mãe luta por Justiça

Mirtes Santana, mãe de Miguel, entrou em um curso de direito e deseja atuar para conseguir justiça por outras mães. Através de sua representação legal, ela criticou a decisão judicial.

“Ela entende, na condição de mãe, vítima, que está há dois anos aguardando a decisão, que a pena foi branda em relação às expectativas que ela fez durante todo esse processo. Por esse motivo, a assistência de acusação pretende recorrer da decisão ainda que o Ministério Público não o faça, com o propósito de maximizar a pena imposta agora”, afirmou Rodrigo Almendra, representante da mãe.

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Em entrevista ao UOL anterior à condenação, Mirtes já havia dito que o tratamento seria diferente se os papéis fossem invertidos. “Se eu estivesse do outro lado da história, se eu tivesse deixado o filho da patroa dentro do elevador, talvez eu fosse presa logo após a audiência de custódia”, afirmou.

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Em março do ano passado, a Justiça do Trabalho determinou que Sari e Sérgio Hacker pagassem salários e benefícios trabalhistas atrasados para a mãe e para a avó de Miguel, Marta Santana, que também trabalhava para a família.

Eles também foram foram acusados de fraude por terem empregado trabalhadoras domésticas particulares como funcionárias da prefeitura de Tamandaré, que era chefiada por Sérgio Hacker.

Os pais de Miguel, Mirtes Souza e Paulo Inocêncio, e a avó, Marta Santana, também executam processo civil por danos morais após a morte da criança.

 

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Fotos: Reprodução/TV Globo


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