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Como fala racista em reunião fez contrato de R$ 1 milhão ser cancelado

30 • 06 • 2022 às 12:03
Atualizada em 30 • 06 • 2022 às 12:25
Redação Hypeness
Redação Hypeness Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

O executivo Juliano Pereira dos Santos, 37, da empresa Proz Educação, cancelou um contrato no valor de R$ 1 milhão depois de ser chamado de “negão” em uma reunião de negócios.

O administrador de empresas também processa Matheus Mason Adorno, responsável pela fala racista, e a Oracle, empresa que participava da reunião.

Executivo negro foi vítima de racismo durante reunião de negócios; contrato de R$ 1 milhão foi encerrado por colocação racista

Durante uma reunião em outubro do ano passado, Juliano Pereira dos Santos, da Proz Educação, – uma empresa do ramo da educação profissional – estava em uma reunião com a Optat Consulting, empresa de consultoria ligada à Oracle, implementadora de softwares para empresas privadas.

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De acordo com o relato de Juliano ao UOL, a reunião tratava de uma falha no sistema da Oracle. As empresas tentavam entender a responsabilidade pelo problema e como poderiam custear a correção nos problemas na implementação do problema. Juliano entendeu que a Optat não estava arcando com a responsabilidade necessária e estava se recusando a resolver o problema.

“Como eles disseram que não iam ajudar, eu falei: ‘Pô, eu expus meu nome endossando o trabalho de vocês. Será que agora não seria o caso de alertar essas empresas sobre o que tá acontecendo conosco?'”, disse.

Então, Matheus Mason Adorno, da Optat, afirmou: “Aí não, negão. Aí você quer me f*der”.

O executivo da Proz afirmou que não veria problema se a frase viesse de um outro homem negro ou de um amigo próximo. Mas vindo de um homem branco que ele não conhecia, ele se sentiu ofendido.

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“Alguém que virou exemplo”

Então, ele decidiu encerrar o contrato no valor de R$ 1 milhão. Além disso, Juliano irá processar a Optat, Matheus e a própria Oracle. Ele pede indenizações por danos morais.

O executivo afirmou que é visto como uma referência para outros negros no mercado de trabalho. Para ele, nessa posição, não é possível abaixar a cabeça para o racismo.

Executivo de empresa do ramo da educação afirma que negros não podem abaixar a cabeça para o racismo

“Nos últimos anos fui entendendo melhor que situações como essas não são toleráveis. Acho que comecei a assumir um papel de liderança por onde passei e meu cabelo mais comprido virou uma referência para meus colegas de cor. Você começa a se ver como alguém que vira exemplo, querendo ou não”, contou Juliano em entrevista ao jornal O Globo.

Em nota ao UOL, a empresa de tecnologia afirma que ofereceu apoio ao executivo e que iria encerrar a sua relação com a Optat Consulting.

“A Oracle prontamente ofereceu apoio à pessoa diretamente atingida pelos fatos descritos e tem lhe oferecido o suporte necessário. Ademais, a Oracle se colocou à disposição para colaborar com as autoridades competentes em quaisquer investigações e, em março de 2022, informou à empresa envolvida nos fatos que descontinuaria a relação contratual”, disse.

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Fotos: Reprodução/Arquivo Pessoal


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