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Criança não é mãe: menina de 11 anos vítima de estupro consegue abortar apesar de convicções pessoais de juíza

23 • 06 • 2022 às 16:20
Atualizada em 23 • 06 • 2022 às 16:31
Redação Hypeness
Redação Hypeness Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

O Ministério Público Federal informou, por meio de nota à imprensa, que a criança de 11 anos de idade vítima de um estupro conseguiu interromper sua gestação.

A notícia chega após denúncias do The Intercept sobre pressão feita pelo MP catarinense e pela juíza Joana Ribeiro Zimmer para que ela mantivesse a gravidez.

Juíza pressinou criança de 11 anos vítima de estupro a ter filho

Criança não é mãe 

A história foi revelada no último dia 20, pelo site do The Intercept Brasil. A criança de apenas 11 anos havia sido vítima de estupro e foi levada pela mãe para realizar a interrupção da gravidez no Hospital Universitário da UFSC. Os médicos se recusaram a fazer o procedimento, pedindo para que a mãe levasse o requerimento ao Ministério Público e para a Justiça. Com autorização judicial, eles fariam o aborto.

A mãe fez o caminho jurídico. Ela foi separada de sua filha com a justificativa do “ambiente de abuso”. Durante um mês, elas não se viram. Segundo as denúncias, nesse ínterim, a promotoria e a juíza Joana Ribeiro Zimmer tentaram influenciar a criança para que ela não realizasse o aborto.

– Menina vítima de estupro teve aborto negado por juíza e diz ter sido desacreditada por médicos

Em um vídeo publicado pelo The Intercept, a juíza questiona se a criança de 11 anos de idade queria ser mãe e se havia escolhido o nome do bebê. Nos autos, ela chega a comparar um procedimento abortivo com um assassinato e desconsidera completamente a legislação brasileira, que permite a interrupção da gestação em casos de violência sexual.

Criança conseguiu realizar procedimento após ser separada da mãe e pressionada por autoridades a manter gravidez

Após a repercussão do caso na imprensa e na sociedade, a magistrada se ausentou do cargo para assumir outra posição superior no mesmo tribunal.

No comunicado à imprensa, o MPF disse que um hospital “comunicou à Procuradoria da República, no prazo estabelecido, que foi procurado pela paciente e sua representante legal e adotou as providências para a interrupção da gestação da menor”.

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Fotos: Foto 1: Assembleia Legislativa de Santa Catarina Foto 2: Reprodução/Intercept


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