Ciência

Equipe de construção de parque industrial tropeça em ruínas maias de 1400 anos

14 • 06 • 2022 às 09:46
Atualizada em 17 • 06 • 2022 às 09:32
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Arqueólogos confirmaram recentemente que as construções encontradas durante escavação no México em 2015 são de uma antiga cidade Maia, onde viveram mais de 4 mil pessoas entre os anos 600 e 900 da Era Comum, há 1.100 a 1.400 anos.

O nome original da comunidade encontrada, onde foram descobertos palácios, praças e pirâmides, é ainda desconhecido, e os arqueólogos vêm chamando a antiga cidade de Xiol, que significa “espírito humano” na antiga língua Maia.

A cidade Maia descoberta, batizada de Xiol, era residência de cerca de 4 mil pessoas

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Tesouro escondido 

A cidade foi encontrada na região da península mexicana de Iucutã, primeiramente após escavações para construção de um parque industrial no município de Kanasín, próximo à cidade de Merida.

As ruínas se espalham por mais de 200 mil metros quadrados, que incluem uma praça central rodeada por 12 edifícios, e as fundações de outras 76 construções, encobertas pela vegetação local. Dois imensos edifícios em cada lado da praça se revelaram como centros residências da elite de então. A conclusão é de que viviam escribas, sacerdotes, dignatários, assim como fazendeiros e pescadores mais pobres.

 As ruínas ocupam um espaço de mais de 200 mil metros quadrados

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No sítio arqueológico foi encontrada também um cemitério com os restos mortais de 15 pessoas, assim como uma variedade de jazigos e um altar que provavelmente era utilizado em cerimonias e rituais – artefatos em cerâmica também foram encontrados, em excelente estado de conservação, durante as escavações.

“A descoberta dessa cidade Maia é importante por sua arquitetura monumental e por ter sido recuperada apesar de se encontrar em terra privada”, afirmou Arturo Chab Cardenas, do Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH).

A comunidade tinha tanto membros da elite quanto fazendeiros e pescadores vivendo

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‘Foi incrível’

Segundo Cardenas, os arqueólogos se surpreenderam com a descoberta de ruínas tão bem preservadas. Segundo Mauricio Montalvo, um dos proprietários do terreno onde a cidade foi encontrada, a primeira descoberta parecia uma imensa pedra somente, até que as escavações revelaram um grande edifício.

“Foi incrível, e então nós informamos ao INAH, e entendemos que precisaríamos mudar nossos planos originais”, comentou, revelando que a construção foi suspensa e será repensada. “Para nossa empresa, é mais importante preservar a herança Maia”, concluiu.

Arqueólogos consideraram rara a descoberta de um sítio em tão bom estado quanto o de Xiol

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Ao centro das dezenas de construções, foi descoberto no local também uma praça

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© fotos: Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH)/reprodução


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