Ciência

Estudantes brasileiras criam absorvente com resíduos industriais e vencem premiação internacional

13 • 06 • 2022 às 10:12
Atualizada em 15 • 06 • 2022 às 09:27
Redação Hypeness
Redação Hypeness Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

Utilizando resíduos da bananeira e do açaí de juçara, duas estudantes brasileiras criaram uma alternativa promissora para produzir um produto indispensável gerando menos impactos ambientais. O Sustain Pads são absorventes que podem ainda ser uma solução para o problema da pobreza menstrual, pois têm um custo muito menor que os tradicionais na indústria. 

O acesso a produtos sanitários, espaços seguros e higiênicos para utilizá-los e o direito de administrar a menstruação sem vergonha ou estigma são essenciais para quem menstrua. Mas, na prática, não é o que acontece para todes. Em 2014, a Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou que uma em cada dez meninas perdem aula quando estão menstruadas, por não terem acesso a absorventes e outras opções de higiene para o período. 

– Pobreza menstrual: veto de Bolsonaro à distribuição de absorventes mostra desamparo à saúde da mulher

Laura Nerdel Drebes; Flávia Twardowsk e Camily Pereira dos Santos

No Brasil, aproximadamente 1,5 milhão de mulheres vivem em casas sem banheiros e cerca de 213 mil meninas que frequentam escolas não têm banheiros em condições ótimas de uso – 65% dessas garotas são negras. Já no sistema prisional do país, onde 62% das mulheres são negras e 74% são mães, a lei obriga o Estado a fornecer assistência material e de saúde às presas. Mas 60,9% delas entende que a quantidade de absorventes oferecidos é insuficiente. Saiba mais: 

– O que é pobreza menstrual e como ela afeta mulheres em situação vulnerável

O projeto, das alunas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) Camily Pereira dos Santos e Laura Nedel Drebes, sob orientação da Profª Flávia Santos Twardowski Pinto, foi premiado pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES), por meio do do programa Jovens Profissionais do Saneamento (JPS). Elas levaram o Stockholm Junior Water Prize (SJWP) – Prêmio Jovem da Água de Estocolmo – Etapa Brasil.

O material também é sustentável por utilizar o pseudocaule de plantas que possuem falsos caules. Enquanto muitas pessoas não têm acesso aprodutos higiênicos durante a menstruação, aqueles que usam colaboram para um descarte de 10 mil absorventes durante em suas vidas – lembrando que os absorventes tradicionais demoram até 500 anos para se decompor. 

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Foto: Reprodução / Instagram Laura Nedel


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