Ciência

Floresta de 290 milhões de anos formada por plantas extintas é descoberta no Paraná

22 • 06 • 2022 às 10:13
Atualizada em 24 • 06 • 2022 às 10:25
Redação Hypeness
Redação Hypeness Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

Uma floresta com idade estimada em 290 milhões de anos foi descoberta recentemente no município de Ortigueira, na região central do estado do Paraná. O achado foi feito pela pesquisadora Thammy Ellin Mottin, estudante do Programa de Pós-Graduação em Geologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

A doutoranda descobriu a floresta fossilizada em estado praticamente intacto e publicou sua descoberta na edição de fevereiro da revista Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology.

Escavação mostra caules intactos das árvores em meio a rochas

A vegetação tem 164 espécies descritas e todas já foram extintas. Ainda de acordo com o estudo, as plantas existiram durante o período do supercontinente Gondwana, que unia América do Sul, África, Oceania e Índia.

“As árvores estão preservadas dentro da rocha da exata maneira como viviam, ou seja, elas ainda guardam as características daquele ecossistema de cerca de 290 milhões de anos atrás”, conta a doutoranda, ao portal Ciência da UFPR.

A cientista descobriu o ecossistema junto de seu orientador, Fernando Vesely, e de três pesquisadores norte-americanos que desenvolveram projetos com o grupo de pesquisa da UFPR. Ela também contou com o apoio de Roberto Iannuzzi, professor do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

As árvores estavam praticamente intactas mesmo soterradas pelo solo. As espécies são quase todas licófitas, plantas que deram origem a boa parte do carvão mineral que extraímos hoje como energia.

Árvores são licófitas, parentes das samambaias que conhecemos hoje

“O soterramento continuou até o ponto em que a parte superior das licófitas colapsou, deixando exposta parte do caule”, descreve a pesquisadora. “A parte interior do caule foi sendo removida pela ação da água e foi preenchida por sedimentos que ainda chegavam e que terminaram por soterrar completamente a floresta”. O fenômeno causou a preservação dos espécimes.

Existem apenas outros dois sítios desse tipo na América do Sul. Um deles está no Rio Grande do Sul e outro está na Patagônia. Ambos tem datação similar, sendo também da época de Gondwana.

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Fotos: Foto: Thammy Mottin/Arquivo pessoal


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