Futuro

Francia Márquez: de ex-trabalhadora doméstica à 1ª mulher negra vice-presidente da Colômbia

24 • 06 • 2022 às 10:10
Atualizada em 28 • 06 • 2022 às 09:02
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

A vice-presidenta Francia Márquez foi a grande estrela da campanha que deu a vitória a Gustavo Petro, eleito o primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia. Advogada e ativista dos direitos humanos e pelo meio-ambiente, antes de se tornar a primeira mulher negra a ocupar o cargo, Francia trabalhou como empregada doméstica, e atuou por 10 anos em movimentos sociais: aos 40 anos, ela é mãe solo de dois filhos, e seu discurso de vitória viralizou em todo o mundo.

A advogada e ativista Francia Márquez, próxima vice-presidenta da Colômbia

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Francia nasceu em La Toma, distrito na região oeste da Colômbia e, na juventude, além do trabalho como empregada, para pagar seus estudos também atuou como garimpeira de ouro. Seu crescimento dentro do cenário político do país começou a partir de sua atuação como liderança popular contra a exploração mineral na região onde nasceu: por esse trabalho, Francia recebeu, em 2018, o Prêmio Goldman, um dos mais importantes reconhecimentos ambientais do mundo.

Francia ao lado de Petro no palanque da vitória, no dia 19 de junho

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Como presidente da Associação de Mulheres Afrodescendentes de Yolombó, Francia liderou a “Mobilização das mulheres negras pelo cuidado da vida e dos territórios ancestrais”, um grande movimento que reuniu pessoas do norte de Cauca para irem até capital, Bogotá, em defesa dos direitos de tal população. Em 2021, ela anunciou sua pré-candidatura à presidência do país, mas durante a campanha aceitou o convite para integrar a chapa de Gustavo Petro como sua vice-presidenta.

A vice-presidenta foi uma das grandes motivadoras para a vitória de Petro no país

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“Para mim, ocupar um cargo no Estado não é o fim da trajetória. O fim pra mim é dignificar a vida, é cuidar da vida, é viver em um lugar mais justo e digno para todos. O fim é diminuir a mortalidade negra”, afirmou Francia, após aceitar ser a vice de Petro. “Chegar à presidência da Colômbia é um meio, ocupar o Estado é um meio para seguir movendo essa luta que queremos como povo e como humanidade”, disse, na campanha que derrotou o candidato de direita Rodolfo Hernandez no final de maio.

Durante a campanha, com um lenço estampado com o rosto de Marielle Franco e um pedido de justiça

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“Irmãos e irmãs, demos um passo muito importante. Depois de 214 anos, conquistamos um governo do povo, um governo popular, o governo da gente, com as mãos calejadas. O governo das pessoas comuns. O governo dos ninguém e das ninguém da Colômbia”, afirmou, em seu discurso, após confirmada a vitória. Na fala, Francia também dedicou a conquista às mulheres, à juventude, aos professores e professoras, aos indígenas, aos camponeses e à comunidade negra.

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“Vamos, irmãos e irmãs, reconciliar esta nação. Vamos pela paz decididamente, sem medo, com amor e com alegria. Vamos pela dignidade. Vamos pela justiça social. Nós mulheres vamos erradicar o patriarcado em nosso país”, afirmou, no discurso “Defendemos os direitos da comunidade LGBTQ+ diversificada. Vamos pelos direitos da nossa Mãe Terra, da casa grande. Cuidar da nossa casa grande e cuidar da biodiversidade. Vamos juntos erradicar o racismo estrutural.”

A festa tomou conta com a vitória do primeiro presidente de esquerda da história do país

A festa tomou conta com a vitória do primeiro presidente de esquerda da história do país

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© foto 1: Instagram/@franciamarquezm/reprodução

© fotos 2, 5: Getty Images

© fotos 3, 4: Twitter/@franciamarquezm/reprodução


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