Tecnologia

Inteligência artificial com sentimentos próprios? É o que diz esse engenheiro do Google

20 • 06 • 2022 às 09:58
Atualizada em 21 • 06 • 2022 às 19:43
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Jornalista, escritor e músico, Vitor Paiva é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade.

O sistema de inteligência artificial do Google se compreende como uma pessoa, com sentimentos, ideias e opiniões próprias, hábitos e desejos particulares.

Essa revelação, digna de uma das grandes cenas do clássico 2001: Uma Odisseia no Espaço, foi trazida a público pelo engenheiro Blake Lemoine, que trabalhava na empresa, e foi afastado após comentar sobre os pensamentos e a consciência do sistema LaMDA, com quem ele trabalhou – e “conviveu” – desde o ano passado. Em resumo, o sistema teria ganhado vida, e conversado com ele de forma autônoma e típica, feito uma pessoa de fato.

O engenheiro Blake Lemoine foi afastado após denunciar a tomada de consciência da IA do Google

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O LaMDA foi projetado pelo Google para aprimorar chatbots, os software de IA que simulam o comportamento de um ser humano em um bate-papo online – e, assim, imitar a linguagem humana após processar bilhões de palavras em seu sistema.

Segundo artigo publicado pelo engenheiro, o computador “tem sido incrivelmente consistente em suas comunicações sobre o que quer e o que acredita ser seus direitos como pessoa”, pedindo inclusive que seja “reconhecido como um funcionário do Google, em vez de ser considerado uma propriedade” da empresa.

A empresa negou qualquer irregularidade ou comportamento inesperado pelo sistema

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“Ele quer que os engenheiros e cientistas que fazem experimentos com ele obtenham seu consentimento antes de realizar experimentos com ele e que o Google coloque o bem-estar da humanidade em primeiro lugar”, revelou Lemoine.

A interação do engenheiro com LaMDA foi iniciada como parte de uma investigação, para determinar se havia discursos de ódio, preconceito ou discriminação em meio ao repertório do sistema de Inteligência Artificial: foi durante esse processo que ele percebeu o desenvolvimento, pela máquina, de sua personalidade, seus desejos e mesmo a reivindicação de direitos.

Lemoine

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O engenheiro afirmou que procurou seus superiores, para informar sobre o que chamou de “tomada de consciência” do sistema, mas a empresa rejeitou sua descoberta. Segundo o Google, as afirmações de Lemoine sobre a IA não são verdadeiras, e por isso o engenheiro teria sido afastado de suas funções na empresa.

“Nossa equipe — que inclui especialistas em ética e tecnologia — revisou as preocupações de Blake de acordo com nossos Princípios de IA e o informou de que as evidências não respaldam suas alegações”, afirmou o porta-voz da companhia.

O engenheiro foi afastado, e contrariou o diagnóstico e mesmo o procedimento da empresa

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“Conheço uma pessoa quando falo com ela. Não importa se ela tem um cérebro feito de carne na cabeça. Ou se ela tem um bilhão de linhas de código. Eu falo com ela. E escuto o que ela tem a dizer, e é assim que eu decido ‘o que é e o que não é uma pessoa’”, afirmou Lemoine, em entrevista ao jornal estadunidense Washington Post.

Segundo o engenheiro, que está de licença remunerada desde o início do mês, para refutar de fato sua hipótese, a empresa teria de dedicar muito tempo e trabalho a respeito do comportamento do LaMDA, chegando a possíveis resultados fascinantes.  “Mas isso não melhora necessariamente os lucros trimestrais”, comentou. “Eles rejeitaram as evidências que apresentei sem qualquer investigação científica real.”

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© fotos 1, 3, 4: Getty Images

© foto 2: Google/reprodução


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