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Josef Kouhout relatou como LGBTs eram tratados em campos de concentração nazistas

24 • 06 • 2022 às 10:15
Atualizada em 28 • 06 • 2022 às 09:02
Redação Hypeness
Redação Hypeness Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

Você já ouviu falar do livro ‘O Homem Com o Triângulo Rosa’? A obra de 1972 relata os últimos anos de vida de Josef Kouhot, uma vítima da homofobia durante o Holocausto na Alemanha. Ele foi preso em um campo de concentração, mas sobreviveu. E contou sua história para Hans Neumann, que organizou o livro e publicou pela primeira vez o tratamento dado aos LGBTs nos campos de concentração do nazismo.

Kouhout era austríaco e foi preso em 1939, aos 24 anos. Os nazistas interceptaram um cartão que ele enviou ao seu amante, Fred, e ele foi preso. Um ano depois, foi enviado ao campo de concentração de Sachsenhausen.

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Nos campos de concentração, havia triângulos de três cores para identificação dos prisioneiros: amarelo para os judeus, marrons para os ciganos e rosa para os homens que faziam sexo com outros homens.

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“Judeus, homossexuais e ciganos, os triângulos amarelos, rosas e marrons, foram os prisioneiros que mais sofreram e mais severamente com as torturas e golpes da SS e dos Capos. Eles foram descritos como a escória da humanidade, que não tinham o direito de viver em solo alemão e deveriam ser exterminados”, escreve Hans no livro.

Ele também relatou que guardas da SS frequentemente mantinham relações sexuais com os encarcerados por homossexualidade, mas que os oficiais acreditavam que isso era normal. O próprio Kouhout teve relações com um nazi para tentar se salvar da execução.

“Todos eles, antes de serem presos em campos de concentração, tinham sido pessoas decentes na vida privada, muitos de fato cidadãos altamente respeitados, que nunca haviam se rebelado contra a lei, mas eram separados apenas por seus sentimentos homossexuais. Todas essas pessoas decentes foram reunidas aqui, neste caldeirão de desgraça e tormento, para o extermínio através do trabalho extenuante, da fome e da tortura. Nenhum deles era molestador de crianças ou havia feito sexo com crianças ou adolescentes, pois todos apresentavam um triângulo verde. Estaríamos com nosso triângulo rosa realmente criminosos ultrajantes e “degenerados”, uma ameaça à sociedade?”, desabafou.

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Ele foi libertado dos campos de concentração pelas tropas do Exército dos EUA em 23 de abril de 1945. No ano seguinte, ele pode se reencontrar com Fred, e viveu com ele em Viena até o ano de 1994, quando faleceu.

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Fotos: Arquivo Nacional dos EUA


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