Debate

Milhares de pessoas assinam abaixo-assinado para beber ‘suco’ vermelho de sarcófago descoberto em Alexandria

08 • 06 • 2022 às 08:46
Atualizada em 13 • 06 • 2022 às 10:20
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Milhares de pessoas assinaram uma petição pedindo para beber uma espécie de “suco de múmia”, líquido vermelho encontrado dentro do maior sarcófago de Alexandria, no Egito, aberto recentemente. O abaixo-assinado foi criado no site Changes.org pelo usuário Innes Mck, e havia recebido quase 37 mil assinaturas até a conclusão dessa matéria, reunindo pessoas que supostamente desejam ingerir o misterioso líquido para assumir eventuais poderes das múmias: o tom da petição é de evidente humor.

Dentro do sarcófago foram encontradas três ossadas e o líquido vermelho

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A descoberta do maior sarcófago já encontrado em Alexandria foi anunciada pelo Ministério de Antiguidades do Egito em julho do ano passado, com 2,65 metros de comprimento, 1,85 metro de altura e 1,65 metro de largura, e enterrado há mais de 5 metros de profundidade. A origem do líquido, porém, parece ser menos misteriosa, ancestral, poderosa e mesmo saborosa que se pensa: segundo Mostafa Waziry, líder do ministério, a água vermelha teria vindo de um esgoto próximo, que inundou o túmulo a partir de uma infiltração no revestimento de granito negro que cobre o sarcófago.

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“Precisamos beber o líquido vermelho do maldito sarcófago escuro na forma de algum tipo de bebida energética carbonatada para que possamos assumir seus poderes e finalmente morrer”, diz o texto da petição, que reunia 36.729 assinaturas até o fechamento dessa matéria. Com o sucesso do abaixo-assinado, Innes Mck anunciou uma atualização no objetivo da bem-humorada petição: “Precisamos garantir que o suco de sarcófago seja, na verdade, arquivado e exibido perpetuamente em um museu ou parque temático. Protejam o líquido, não bebam!”, diz o texto.

As três caveiras encontradas no local: o líquido teria "estragado" a mumificação

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“Tenham certeza de que continuarei a procurar por novas formas de trazer o fim dos tempos para todos possamos definitivamente morrer. Obrigado”, conclui a cômica atualização da petição. Junto ao “suco de múmia” descoberto no local, foram encontrados três esqueletos, provavelmente de soldados mortos em batalhas: em uma primeira avaliação, foram identificados ferimentos nas caveiras causadas por flechadas. A demora para realizar a abertura se deu pelo peso e a dimensão do sarcófago: com cerca de 30 toneladas ao todo, somente a tampa pesava 15 toneladas.

O sarcófago era todo em granito preto, e pesava 30 toneladas ao todo

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O sarcófago data do período ptolomaico, dinastia da Macedônia que governou o Egito entre os anos 305 antes da era comum e 30 depois da era comum, e inicialmente se levantou a hipótese do local ser a morada final de algum nobre ou líder, até mesmo de Alexandre, O Grande, mas tal hipótese foi descartada após a abertura. “O sarcófago foi aberto, mas nós não fomos atingidos por nenhuma maldição”, brincou Waziry, diante da imprensa.

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© fotos: Ministério de Antiguidades do Egito/reprodução


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