Futuro

Na contramão do retorno aos escritórios, futuro das cidades está na melhoria e ocupação dos espaços públicos

27 • 06 • 2022 às 19:34
Atualizada em 30 • 06 • 2022 às 10:13
Redação Hypeness
Redação Hypeness Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

Desde os anos 1960, um pensamento sistemático sobre o direito à cidade e o uso do espaço nas aglomerações urbanas tem sido produzido. A ideia de uma comunidade com agilidade produtiva, serviços de arte e cultura, bom uso de seu espaço e insubmissa aos desejos do capital especulativo é debatida por diversos cientistas sociais, arquitetos, geógrafos, etc.

Crise econômica afeta EUA, que sofre concomitantemente com inflação e crescimento dos desabrigados; em meio à cafés de rua e praças em bairros ricos, só aumenta o número de pessoas em situação nas grandes cidades

Contudo, com a pandemia de covid-19, uma grande mudança nos parâmetros de ocupação do espaço ocorreu. Especialmente nos países centrais do capitalismo – China, EUA e União Europeia – têm se observado uma redução do trabalho presencial.

De acordo com com o Kastle Back To Work Barometer, que mede a taxa de ocupantes de escritório nos EUA, cerca de 41% dos estadunidenses que vivem em cidades estão trabalhando da forma típica do pré-pandemia. Na China, mais de 346 milhões de pessoas seguiram em home office mesmo com os números de covid-19 zerados na maior parte das regiões do país.

Desigualdades e home offices

Essa desocupação traz um novo desafio às cidades: como pensar em uma ocupação de seu espaço durante um momento em que há menos gente na rua? E como pensar em uma economia que comporte, junto à isso, a piora nas condições de vida de boa parte dos habitantes.

Os dilemas de Amsterdam são diferentes dos dilemas de São Paulo, que são outros em comparação com cidades ainda menores do Brasil. Ainda assim, é crucial pensar que um pensamento de recuperação econômica e de boa ocupação dos espaços é a chave para uma reocupação igualitária das municipalidades.

Como pensar uma ocupação de São Paulo que garante menos desigualdade e garantias de lazer?

As cidades grandes devem ter consciência de que, por exemplo, um acesso livre à internet de boa qualidade em espaços públicos contribuiria, por exemplo, para todo o comércio e para a vivência da população em geral. Sistemas de vigilância colaborariam para maior segurança e, prioritariamente, programas de extinção da miséria deveriam ser urgentes.

Se as capitais brasileiras já falhavam muito em planejamento e em boa qualidade de vida anteriormente à pandemia, a covid-19 apenas intensificou dilemas e contradições a estas cidades. E manter seus cidadãos entuchados dentro de casa não é uma solução saudável pensando em economia, saúde e cultura.

As leituras interessantes para se pensar nisso são de Henri Lefebvre, considerado o “pai” do direito à cidade, bem como David Harvey, Raquel Rolnik e uma série de pensadores e pensadoras que refletem sobre o urbano e o social no Brasil e no mundo.

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