Ciência

O que é o ‘fantasma estelar’ encontrado pela Nasa vagando na Via Láctea

21 • 06 • 2022 às 19:19
Atualizada em 24 • 06 • 2022 às 10:24
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

O telescópio Hubble pela primeira vez pode ter detectado um “fantasma estelar”, um buraco negro específico vagando por nossa galáxia como os restos mortos de uma estrela que brilhou no passado. A possível identificação foi realizada a partir de uma medição da massa do objeto detectado à deriva pela Via Láctea, localizado a cerca de 5.000 anos-luz da Terra, no braço espiral Carina-Sagitário, agrupação de estrelas em forma de curva.

Representação artística de um buraco negro no meio da Via Láctea

Representação artística de um buraco negro no meio da Via Láctea

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A detecção se deu após seis anos de observações por duas equipes sobre os dados levantados pelo Hubble. A dúvida sobre a natureza do objeto ser ou não um buraco negro se dá pelo fato dos resultados levantados por cada equipe diferirem em sua dimensão, que teria entre 1,6 a 4,4 vezes a massa do Sol. Se o tamanho se aproximar da maior massa sugerida, trata-se de um buraco negro: se for próximo da menor medida, seria uma estrela de nêutrons.

Registro da variação de luz que identificou o MOA-11-191/OGLE-11-0462

Registro da variação de luz que identificou o MOA-11-191/OGLE-11-0462

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“Por mais que queiramos dizer que é definitivamente um buraco negro, devemos relatar todas as soluções permitidas. Isso inclui tanto buracos negros de menor massa quanto uma estrela de nêutrons”, afirmou Jessica Lu, cientista da equipe da Universidade da Califórnia.“Seja o que for, o objeto é o primeiro remanescente estelar escuro descoberto vagando pela galáxia, desacompanhado de outra estrela”, confirmou a cientista. A outra equipe envolvida é ligada ao Space Telescope Science Institute em Baltimore, Maryland, e os dois estudos já foram aceitos para publicação.

Representação do telescópio Hubble

Representação do telescópio Hubble

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Normalmente os buracos negros são invisíveis aos telescópios, por não emitirem luz. O “fantasma” estudado, no entanto, foi percebido a partir da distorção no espaço que o campo gravitacional extremamente forte dos buracos negros promove, e que é capaz de amplificar e desviar a luz de outro corpo celeste que se alinhe ao buraco. O objeto passou na frente de uma estrela a 19.000 anos-luz, e a luz estelar chegou à Terra amplificada em 270 dias. A presença próxima de outra estrela brilhante tornou a medição do objeto especialmente difícil, custando os vários anos de observação.

As deformações registradas na luz da estrela diante do objeto ao longo dos anos

Algumas deformações registradas na luz da estrela diante do objeto ao longo dos anos

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“É como tentar medir o pequeno movimento de um vaga-lume ao lado de uma lâmpada brilhante”, afirmou o astrônomo Kailash Sahu, que lidera uma das equipes, em comunicado. “Tivemos que subtrair meticulosamente a luz da estrela brilhante próxima para medir com precisão a deflexão da fonte fraca.”, afirmou. Intitulado MOA-11-191/OGLE-11-0462, a natureza, a distância e a velocidade do objeto observado, viajando a cerca de 45 km por segundo, permitiram que as equipes sugerissem que o buraco negro isolado mais próximo da Terra esteja a apenas 80 anos-luz de distância.

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© fotos 1, 2, 4: NASA/ESA

© foto 3: Pixabay


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