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Ozette: uma aldeia perdida de 2 mil anos nos EUA

15 • 06 • 2022 às 09:23
Atualizada em 20 • 06 • 2022 às 19:41
Roanna Azevedo
Roanna Azevedo   Redatora Diretamente da zona norte do Rio, é jornalista por profissão e curiosa por conta própria. Ama escrever sobre cinema e o universo do entretenimento há mais de dois anos. Tem paixão por tudo que envolve cultura, música, arte e comportamento, além de ficar sempre ligada no que rola no mundinho da comunicação nas redes sociais.

Histórias sobre cidades perdidas sempre despertaram fascínio nas pessoas. Tanto, que fake news sobre a existência de algumas, como foi o caso da fictícia Ratanabá, se espalham fácil e rapidamente. Mas, diferentemente dela, Ozette é real de verdade. Localizada na Península Olímpica, próximo a Neah Bay, Washington, Estados Unidos, a aldeia foi soterrada por um deslizamento de terra por volta de 1700 e só foi redescoberta mais de dois séculos depois.

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Ozette vista de cima.

Na época, o “desaparecimento” de Ozette foi desencadeado por um poderoso evento sísmico. Ela era ocupada pelo povo Makah, uma comunidade indígena culturalmente dedicada à caça de baleias que habita toda a região peninsular. Como que por um milagre, a lama do deslizamento protegeu a matéria orgânica da aldeia, isolando-a do ar. Com isso, milhares de artefatos foram preservados ao longo do tempo.

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Na década de 1970, preocupado com a possibilidade de todos esses objetos históricos serem tomados pelo mar e se perderem para sempre, o povo Makah entrou em contato com Richard Daugherty, um influente arqueólogo da Universidade Estadual de Washington. Foi ele que organizou a escavação de Ozette, que durou de 1970 a 1981, e foi responsável por desenterrar aproximadamente 55 mil artefatos que confirmaram as histórias e tradições orais dos indígenas da aldeia.

Richard Daugherty com a efígie de uma barbatana de baleia encontrada entre milhares de artefatos no sítio arqueológico de Ozette.

“Era um lugar espetacular para escavar; a preservação e a riqueza eram extraordinárias”, lembrou Gary Wessen, arqueólogo e ex-diretor de campo do local. “Ozette é o que chamamos de deposição primária. Temos todos esses materiais preservados nos locais onde de fato foram usados. Isso ajuda a nos contar mais sobre a relação social e espacial das pessoas que moravam nas casas.”

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Dentre cestas de cedro trançadas, cobertores de pêlo de cachorro e caixas de madeira, a maioria dos materiais encontrados datava do século 1700. Mas, como a pesquisa arqueológica constatou que vários deslizamentos de terra atingiram Ozette ao longo do tempo, também foi possível achar artefatos com 800, 2 mil e 4 mil anos, de acordo com Wessen. O “Projeto Ozette” se tornou um dos achados arqueológicos mais importantes da América do Norte.

Inscrições em rochas, ao sul do sítio arqueológico de Ozette.

Desde o início, a escavação foi diferenciada, tendo a participação de membros do povo Makah juntamente com os estudantes universitários de arqueologia. Assim que os primeiros objetos foram desenterrados, ficou decidido que eles seriam expostos em algum lugar da Reserva Indígena. Em 1979, a comunidade abriu o Makah Cultural and Research Center em Neah Bay com um museu para abrigar quinhentos dos artefatos mais importantes da coleção.

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Foto 1: Reprodução/Coast View

Foto 2: Reprodução/WSU Insider

Foto 3: Natalie Fobes/Getty Images


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