Ciência

Paciente com Covid longa é curada após ingerir leite materno de doadora vacinada em experimento

09 • 06 • 2022 às 15:37
Atualizada em 09 • 06 • 2022 às 17:21
Redação Hypeness
Redação Hypeness Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

Uma paciente com uma doença genética rara diagnosticada com “covid longa” – condição em que o coronavírus fica por muito tempo no corpo – foi curada após ingerir leite materno de uma doadora vacinada contra o Sars-Cov-2.

A história foi relatada em uma reportagem de Karina Toledo para a Agência FAPESP sobre um estudo científico comandada por pesquisadores da UNICAMP.

Leite materno agiu como medicamento contra a covid-19 em paciente imunocomprometida

A paciente foi diagnosticada com covid-19 em maio de 2021 e ficou com o vírus por 124 dias em seu corpo. Ela começou a receber o tratamento tomando leite materno com anticorpos contra a covid-19 .

“Tenho acompanhado essa paciente desde criança e quando ela me contou que estava com COVID-19 eu fiquei muito apreensiva. O erro inato da imunidade que ela apresenta deixa seu sistema de defesa todo desregulado. Sua resposta inflamatória é deficitária, há poucas células se mobilizando para o local da inflamação e baixa produção de anticorpos. As características de virulência dos agentes infeciosos podem levar a dois desfechos nesses casos: infecção crônica ou morte”, conta a pediatra Maria Marluce dos Santos Vilela, professora da Faculdade de Ciências Médicas (FCM-Unicamp), à Revista da FAPESP.

– Estudo investiga anticorpos da covid-19 encontrados em leite materno de vacinadas

A paciente foi mantida isolada e recebeu o leite de uma doadora que havia se vacinado. Depois de algumas semanas ministrando a substância com os anticorpos, ela conseguiu vencer a doença. A paciente é imunocomprometida e faz parte do grupo de risco.

“Nossa estratégia foi manter a paciente isolada em casa, sob os cuidados da mãe – que monitorou a oxigenação, temperatura corporal e a nutrição. No hospital ela poderia contrair uma infecção bacteriana, o que tornaria o quadro ainda mais grave. E desde o diagnóstico, em março de 2021, nós a acompanhamos periodicamente por vídeo”, conta a médica.

O estudo foi publicado na revista Viruses e recebeu apoio da FAPESP.

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