Arte

Pepi Litman: cantora e c​​ross-dressing liderou popular trupe de teatro no começo do século 20

01 • 06 • 2022 às 10:16
Atualizada em 06 • 06 • 2022 às 10:36
Redação Hypeness
Redação Hypeness Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

Em um mundo de drag queens fazendo arte, criando espetáculos e ajudando a quebrar todas as expectativas de gênero na sociedade, também existem os drag kings fazendo o mesmo. No início do século vinte, Pepi Litman foi um grande representante do movimento. 

Esse era, é claro, o nome artístico de Pesha Kahane, mulher que encarnava o personagem Pepi Litman e se apresentava como cantor, ator e estrela do teatro iídiche e do circuito de vaudeville. Nascida na década de 1870 (sua data de nascimento exata não é conhecida), Pesha vinha de uma família pobre da cidade de Tarnopol – hoje conhecida como Ternopil, na Ucrânia.

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Para seu sustento e da família, ela começou a trabalhar como empregada doméstica em uma pensão que por acaso pertencia à família de Max Badin, ator de cinema, teatro e vaudeville e uma das primeiras celebridades do teatro iídiche na Europa e América. Ele foi uma das inspirações para o nascimento de Pepi Litman. 

Personagem de Pesha era representativo para a comunidade LGBTQIA+ e judáica

Mas o personagem era mesmo judeu, assim como Pesha. Considerado um camaleão, Pepi era capaz de se transformar em qualquer coisa: desde um dândi bem vestido em um terno de três peças, pronto para encantar e flertar com as damas, até um hasside religioso – tudo era apresentado em seus shows. 

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Enquanto os outros artistas usavam fantasias e músicas para zombar da vida judaica, Pesha, como Pepi, mudou completamente o jogo, vestindo-se em trajes completos em uma época em que apenas usar calças era escandaloso o suficiente para uma mulher. Seu humor, voz cantante e capacidade de capturar uma sala eram lendários e surpreendentes. 

Em 1910, o jornalista M.J. Landa escreveu sobre o poder transformador e o deleite absoluto das performances de Pepi em The Jewish World: “Ela era a ‘estrela’ do programa. Toda a atmosfera da sala era diferente. Era dominado por uma personalidade… Ela é a encarnação do espírito alegre do judeu, com momentos de pathos e sentimento”.

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