Ciência

A beleza de uma estrela de oito pontas captada pelo telescópio James Webb

19 • 07 • 2022 às 10:08
Atualizada em 21 • 07 • 2022 às 09:30
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Em meio à beleza e a incrível qualidade das primeiras fotos tiradas do Universo pelo telescópio James Webb, o brilho das estrelas se revela em um formato singular e até então inédito nas imagens: com oito pontas. A explicação para o desenho da luz de uma estrela nas fotos do telescópio está no processo e nos instrumentos de registro – e em um fenômeno ótico chamado difração.

As oito pontas da estrela 2MASS J17554042+6551277 registrada pelo James Webb

As oito pontas da estrela 2MASS J17554042+6551277 registrada pelo James Webb

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O desenho do padrão de estrela em oito pontas nas fotos tiradas pelo telescópio se dá por conta da geometria hexagonal do espelho primário do instrumento. O fenômeno da difração consiste no desvio da propagação retilínea de uma onda provocado pela passagem da luz por uma abertura ou um obstáculo no “caminho” da onda. A geometria do objeto de difração também influencia diretamente no formato da onda após a difração.

Na primeira foto revelada tirada pelo telescópio mostra as oito pontas das estrelas pelo universo

Na primeira foto revelada tirada pelo telescópio mostra as oito pontas das estrelas pelo universo

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Assim, quando um espelho é quadrado, por exemplo, o resultado do fenômeno ótico é uma imagem de difração em cruz: se o espelho é arredondado, a imagem também será redonda. No caso do formato hexagonal do espelho do telescópio James Webb, a imagem gerada é no formato de uma estrela de seis pontas – as duas pontas adicionais que formam o desenho em oito pontas se dão por conta dos suportes do espelho primário.

O espelho hexagonal do telescópio, quando o James Webb ainda se encontrava em terra

O espelho hexagonal do telescópio, quando o James Webb ainda se encontrava em terra

Outro exemplo do fenômeno ótica da difração

Outro exemplo do fenômeno ótica da difração

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Assim, por conta da interferência dos suportes no processo de difração da luz, dois pontos horizontais cruzam o desenho de seis pontas formado. Se comparado ao Hubble, o formato do espelho do antigo telescópio desenhava a luz das estrelas com quatro pontas. As novas imagens reveladas pelo James Webb são as mais profundas já registradas do universo primitivo, após 12 horas e meia de exposição, e também as mais antigas, já que a luz infravermelha capturada pelo telescópio viajou por 13 bilhões de anos.

As estrelas na foto do Quinteto de Stephan tirada pelo telescópio

As estrelas na foto do Quinteto de Stephan tirada pelo telescópio

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