Ciência

Avistamento de baleias-fin sinaliza um retorno para a espécie em extinção

28 • 07 • 2022 às 09:14
Atualizada em 02 • 08 • 2022 às 10:42
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Caçada intensamente ao longo de todo o século 20, a baleia-fin foi listada como uma das espécies mais severamente ameaçadas de extinção: uma nova pesquisa, porém, traz boas notícias, documentando que a população do animal no hemisfério sul está se recuperando, e retomando números do passado. Segundo o estudo, publicado na revista Scientific Reports, agregações de até 150 animais foram avistadas se alimentando na costa da Antártida, um fenômeno impensável há algumas décadas.

Parte do grupo de baleias-fin registrado pela pesquisa na Antártica

Boa notícia: parte do grupo de baleias-fin registrado pela pesquisa na Antártica

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Encontrada nas águas dos principais oceanos, a baleia-fin, também conhecida como baleia-comum, é o segundo maior animal do planeta, atrás apenas da baleia-azul, podendo atingir dimensões de até 27 metros. A caça foi tão massiva ao longo dos anos que a espécie era apontada como destinada a desparecer: entre o início do século 20 e 1976, estima-se que mais de 700 mil baleias tenham sido mortas, e pesquisas à época consideraram a fin extinta na região da Antártida e severamente ameaçada em todo o planeta.

A baleia-fin foi quase compreendida como extinta nos mares do sul

A baleia-fin foi quase compreendida como extinta nos mares do sul

-Caça comercial de baleias deve ser proibida na Islândia a partir de 2024

O gravíssimo quadro começou a ser contornado a partir da moratória internacional estabelecida em 1985, que tornou a caça às baleias ilegal em praticamente todos os países – mesmo Japão, Islândia e Noruega, que ainda caçam o animal, reduziram as quantidades permitidas. Assim, a novidade é vista como uma excelente notícia, que afeta não somente a espécie, mas a saúde de todo oceano ao sul do planeta. “Eu nunca vi tantas baleias em um só lugar, e fiquei completamente fascinada assistindo esses grandes grupos se alimentando”, afirmou Bettina Meyer, bióloga e autora da pesquisa.

Também conhecida como baleia-comum, ela pode chegar a 27 metros de comprimento

Também conhecida como baleia-comum, ela pode chegar a 27 metros de comprimento

A Ilha Elefante, no Mar de Weddell, onde o maior grupo foi avistado pela pesquisa

A Ilha Elefante, no Mar de Weddell, onde o maior grupo foi avistado pela pesquisa

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O estudo registrou os animais em 2018 e 2019 em diferentes pontos da Península Antártica utilizando 22 helicópteros: enquanto grupos menores, duplas ou mesmo baleias sozinhas foram filmadas na região, foi na costa da Ilha Elefante, no Mar de Weddell, que a grande reunião de fins foi descoberta. A ingestão dos crustáceos krill e excreção das fezes das baleias podem representar um aumento considerável na produtividade dos mares ao sul.“A recuperação das baleias-fin na região pode restaurar funções cruciais do ecossistema para a regulação do carbono na região oceânica mais importante do mundo para a absorção do dióxido de carbono produzido pela humanidade”, diz o estudo.

O esguicho das mais de 150 baleias encontradas pelos pesquisadores

O esguicho no horizonte de parte das mais de 150 baleias encontradas pelos pesquisadores

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© fotos 1, 5: Scientific Reports/reprodução

© fotos 2, 3, 4: Getty Images


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