Ciência

Buraco na camada de ozônio sobre região ‘tropical’ tem 7 vezes o tamanho do buraco antártico

08 • 07 • 2022 às 14:49
Atualizada em 12 • 07 • 2022 às 10:00
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Um imenso buraco na camada de ozônio localizado sobre a região tropical do planeta e estimado em sete vezes o tamanho do buraco sobre a Antártida foi descoberto, representando uma perda de mais 25% de ozônio. O buraco tropical foi detectado na estratosfera mais baixa e, segundo o estudo publicado na revista AIP Advances, está lá desde os anos 1980: a conclusão levantou preocupação a respeito dos efeitos que o fenômeno pode causar sobre grandes populações.

Buraco na camada de ozônio sobre a Antártida em sua extensão máxima em 7 de outubro de 2021

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“Os trópicos constituem metade da superfície do planeta e abrigam cerca de metade da população mundial”, afirmou Qing-Bin Lu, cientista da Universidade de Waterloo, no Canadá, e líder do estudo, em comunicado. Segundo Lu, o decréscimo na camada faz aumentar o nível dos raios UV e, assim, o risco de doenças como câncer de pele e catarata, assim como prejudicar nosso sistema imunológico, as produções agrícolas e diversos ecossistemas da Terra.

Gráficos que apontam a existência de um buraco nas camadas tropicais

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De acordo com o estudo, assim como no que se forma sobre a Antártida na primavera, o buraco sobre os trópicos apresenta um quadro de 80% da quantidade normal de gás esgotado em sua parte central. Os buracos na camada de ozônio começaram a ser estudados principalmente na década de 1970 e, nos anos 1980, foi confirmado o impacto de produtos químicos industriais como os clorofluorcarbonos (CFCs), que acabaram proibidos.

O cientista Qing-Bin Lu, da Universidade de Waterloo, no Canadá

O cientista Qing-Bin Lu, da Universidade de Waterloo, no Canadá, que liderou o estudo

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Os dois buracos representam efeitos diretos das mudanças climáticas, e impactam sobre a regulação das temperaturas estratosféricas.”A existência do buraco de ozônio tropical pode causar uma grande preocupação global”, afirmou Lu. “A presente descoberta exige estudos mais cuidadosos sobre a destruição da camada de ozônio, mudança de radiação UV, aumento dos riscos de câncer e outros efeitos negativos sobre a saúde e os ecossistemas nas regiões tropicais”, concluiu.

Buraco antártico na camada de ozônio: o novo buraco teria 7 vezes essa dimensão

Buraco antártico na camada de ozônio: o novo buraco teria 7 vezes essa dimensão

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© fotos 1, 4: NOAA/climate.gov

© foto 2: AIP Advances/reprodução

© foto 3: Universidade de Waterloo/reprodução


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