Ciência

Cannabis, TPM e menopausa: a relação da maconha com o sistema reprodutor feminino

28 • 07 • 2022 às 09:20
Atualizada em 02 • 08 • 2022 às 10:42
Redação Hypeness
Redação Hypeness Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

Legal em alguns países, ilegal em outros, a maconha ainda causa polêmica entre diversos grupos. No entanto, o uso de produtos de maconha três vezes por semana pode ter impactos profundos nos ciclos menstruais e nos hormônios reprodutivos femininos, diz um estudo publicado online na revista Fertility & Sterility Science.

 

O estudo, realizado no Oregon National Primate Research Center da Oregon Health & Science University, monitorou os sistemas reprodutivos de fêmeas primatas não-humanas saudáveis ​​após a exposição ao Delta-9-tetrahidrocanabinol, ou THC, o principal ingrediente psicoativo da maconha.

Os primatas não humanos, todos em idade reprodutiva com histórico de concepção bem-sucedida, receberam um THC comestível uma vez por dia ao longo de três meses. O comestível foi ingerido além de sua dieta padrão de ração. A dosagem de THC, com base nas recomendações publicadas de aclimatação da maconha medicinal para humanos, aumentou mensalmente com a maior dose atingindo 2,5 mg.

“Em um curto período de tempo, observamos irregularidades nos ciclos reprodutivos dos animais”, disse a principal autora do estudo, a médica Jamie Lo, professora de obstetrícia e ginecologia da OHSU School of Medicine e na Divisão de Ciências Reprodutivas e de Desenvolvimento, Oregon National Primate Research Center. “No geral, os períodos menstruais eram mais longos e os níveis de hormônio folículo estimulante, um dos reguladores críticos para a função reprodutiva do corpo, aumentaram. Esses fatores sugerem o forte potencial de disfunção do sistema reprodutivo que, por sua vez, pode afetar a capacidade de engravidar”.

Doutora Jamie Lo, responsável pelo estudo.

No Brasil

Com a legalização nos Estados Unidos, o avanço em pesquisas como essas aumentou drasticamente. O que, infelizmente, não ocorre no Brasil. Contudo, há pesquisadores, médicos e cientistas que, mesmo com a proibição, continuam estudando os efeitos da canabis no corpo humano. Este é o caso da médica de Florianópolis Bárbara Monteiro. Recentemente ela publicou em sua conta no Instagram informações sobre os efeitos do THC durante a TPM, menopausa e no ciclo menstrual.

“A TPM afeta cerca de 75-80% das mulheres no período pré menstrual e até mesmo durante toda a menstruação.
Irritabilidade, humor deprimido, ansiedade, instabilidade emocional, insônia, cefaléia, fadiga, descontrole alimentar e inchaço são alguns dos sintomas que podem afetar negativamente cada ciclo, mês a mês.” Explica ela no post. “Os canabinóides aliviam tanto os sintomas físicos como os psíquicos, atuando como relaxante muscular, ansiolítico, anti-inflamatório, analgésico, sedativo, podendo ser uma alternativa terapêutica não hormonal que reduz os sintomas e tem menos efeitos colaterais (mas nao substitui os anticoncepcionais quando indicados corretamente).”

Além disso, segundo Bárbara, o uso medicinal pode auxiliar nas mudanças hormonais que o corpo feminino passa após atingir a menopausa, reequilibrando essas alterações e regulando o sono, humor e temperatura corporal. A canabis também pode ajudar no ciclo no tratamento da endometriose, dispareunia e pode melhorar muito a relação sexual.

“O fato da Cannabis ter propriedades vasodilatadoras, o uso prévio dos seus componentes antes da relação sexual aumenta o fluxo sanguíneo, reduz a dor, melhora a ansiedade, promove relaxamento da musculatura do assoalho pélvico e aumenta as chances de um orgasmo mais satisfatório.”

 

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