Ciência

Cientistas descobrem fóssil do predador mais antigo do mundo

28 • 07 • 2022 às 09:13 Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Cientistas do Reino Unido confirmaram a descoberta do predador mais antigo já encontrado: o fóssil do Auroralumina attenboroughii tem 560 milhões de anos, e remonta ao período Ediacarano. Engana-se, porém, quem pensou em um dinossauro ou outro animal pré-histórico cheio de dentes diante da palavra “predador”: o Auroralumina foi provavelmente um animal precursor dos cnidários, grupo que inclui hoje as águas-vivas, corais e anêmonas.

Representação artística do Auroralumina attenboroughii há 560 milhões de anos

Representação artística do Auroralumina attenboroughii há 560 milhões de anos

-Candidato a fóssil mais antigo de estrela do mar tem 890 milhões de anos

A descoberta do fóssil se deu na floresta de Charnwood, em Leicestershire, na Inglaterra, enterrado por um fluxo de sedimentos e cinzas vindos de uma saída submarina de um vulcão. O local foi encontrado em 2007, mas os fósseis propriamente só foram identificados 15 anos depois, após a limpeza de uma formação rochosa com mangueiras de alta pressão. Segundo os cientistas, a descoberta antecede em 20 milhões de anos as evidências de predadores no reino animal: o Auroralumina é também o primeiro organismo de seu tipo com um esqueleto.

A limpeza da rocha na floresta de Charnwood, em Leicestershire, onde o fóssil foi encontrado

A limpeza da rocha na floresta de Charnwood, em Leicestershire, onde o fóssil foi encontrado

-Essa água-viva é o único animal imortal do planeta

A região de Leicestershire onde o fóssil foi encontrado é conhecida por revelar materiais do período Ediacarano, entre 635 a 538 milhões de anos atrás. Trata-se do período anterior ao Cambriano, quando boa parte dos modelos para os animais modernos se estabeleceu, há 538 e 485 milhões de anos: assim, a descoberta do Auroralumina sugere que já existiam animais com aparência mais próximas dos modernos no Pré-Cambriano.

O fóssil à esquerda, e a primeira ilustração localizando na pedra

O fóssil à esquerda, e a primeira ilustração “posicionando” o Auroralumina na pedra

-Há 45 milhões de anos, centenas de rãs morreram durante o sexo na Alemanha

Segundo Frankie Dunn, da Universidade de Oxford, que assina o artigo sobre a descoberta do Auroralumina na revista Nature Ecology and Evolution, infelizmente o fóssil do animal de 20 centímetros está incompleto.”O que é realmente interessante é que o animal se bifurcava. Então você tem esses dois ‘cálices’ presos perto de sua base, e havia um pedaço contínuo de esqueleto descendo até o fundo do mar, mas esse pedaço nós não encontramos”, explicou. Foi também em Leicestershire que o fóssil Charnia masoni foi encontrado, nos anos 1950, como o primeiro remanescente pré-cambriano identificado.

Rochas na floresta de Charnwood, em Leicestershire

Rochas na floresta de Charnwood, em Leicestershire

Publicidade

© fotos 1, 3: Simon Harris/Rhian Kendall/BGS/UKRI 

© foto 2: BGS/UKRI 

© foto 4: Getty Images


Canais Especiais Hypeness