Arte

Cinecittà, o estúdio que transformou Roma na capital do cinema mundial nos anos 1950

08 • 07 • 2022 às 14:50
Atualizada em 12 • 07 • 2022 às 10:00
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Na década de 1950, a capital mundial do cinema não era Hollywood, mas sim Roma – mais precisamente, na Via Tuscolana, avenida à beira do Rio Tevere, onde se localizava o Cinecittà. No maior estúdio de cinema da Europa e um dos mais importantes de todos os tempos foram realizados mais de 3 mil filmes, dirigidos por uma lista que mais parece a seleção dos melhores diretores da história: Federico Fellini, Francis Ford Coppola, Martin Scorsese, Roberto Rosselini, Sergio Leone, Bernardo Bertolucci, Mel Gibson, Luchino Visconti e muitos mais filmaram no solo sagrado do estúdio.

O Cinecittà foi inaugurado em 1937, mas se tornou polo do cinema mundial nos anos 1950

O Cinecittà foi inaugurado em 1937, mas se tornou polo do cinema mundial nos anos 1950

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Antes de se tornar uma fábrica de clássicos do cinema mundial, a origem do estúdio é fascista: foi Benito Mussolini quem inaugurou o Cinecittà, em 1937, sob o lema de que o “Cinema é a arma mais poderosa”. Mais do que produzir filmes de propaganda em defesa do ditador, a abertura se deu para aquecer a indústria do cinema na Itália. Durante a Segunda Guerra, porém, o estúdio foi bombardeado, e utilizado como abrigo, onde mais de 3 mil refugiados viveram no período.

Inauguração do estúdio, com desfile de Mussolini, em 1937

Inauguração do estúdio, com desfile de Mussolini, em 1937

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Devidamente reconstruído, nos anos 1950 o Cinecittà não só recebeu a fina flor do renascente cinema italiano, com nomes como Fellini, Rosselini e Visconti, como também, por motivos orçamentários, muitas produções estadunidenses. Clássicos como Quo Vadis, de 1951, A Princesa e o Plebeu, com Audrey Hepburn, de 1953, A Condessa Descalça, com Humphrey Bogart e Ava Gardner, de 1954, Guerra e Paz, também com Hepburn, em 1956, e ainda Ben-Hur, de 1959, Começou em Nápoles, com Clark Gable e Sophia Loren, de 1960, Cleópatra, com Elizabeth Taylor, de 1963, e A Pantera Cor-de-Rosa, com Peter Sellers, de 1963, todos foram filmados no Cinecittà – e muitos e muitos mais.

Elizabeth Taylor em cena de Cleópatra, de 1963

Elizabeth Taylor em cena de Cleópatra, de 1963

Ben-Hur, de 1959, foi filmado no estúdio, e se tornou um dos filmes mais premiados da história

Ben-Hur, de 1959, foi filmado no estúdio, e se tornou um dos filmes mais premiados da história

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O fim dessa era de ouro representou também quase a falência do estúdio, que acabou privatizado nos anos 1990, voltando a receber grandes produções. Filmes como O Paciente inglês, de 1996, Gangues de Nova York, de Martin Scorcese, de 2002, A Vida Aquática de Steve Zissou, de Wes Anderson e com Seu Jorge, em 2004, e ainda A Paixão de Cristo, de Mel Gibson, de 2004, também foram realizados por lá. Da mesma forma, a série Roma, e outras produções diversas: o filme Dois Papas, de Fernando Meirelles, lançado em 2019, também teve parte de sua filmagem realizada nos estúdios.

Cenário utilizado em Casanova, de Fellini, que permanece exposto no estúdio

Cenário utilizado em Casanova, de Fellini, que permanece exposto no estúdio

Cenário da série Roma

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Antiga câmera em exposição no Cinecittà

Antiga câmera em exposição no Cinecittà

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Em 2014, o Cinecittà World foi inaugurado, como um parque temático localizado próximo ao estúdio original, permitindo que os visitantes percorram cenários e locais históricos, bem como exposições de figurinos, objetos de cena, cartazes, equipamentos e a própria história do cinema italiano e mundial.

Figurinos de Giulietta Masina e Marcello Mastroianni utilizados em Ginger and Fred, de Fellini, expostos na sala em homenagem ao diretor

Figurinos de Giulietta Masina e Marcello Mastroianni utilizados em Ginger and Fred, de Fellini, expostos na sala em homenagem ao diretor

Entrada do estúdio: um parque temático em celebração ao Cinecittà foi inaugurado em 2014

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© fotos: Wikimedia Commons


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