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Com histórico preconceituoso, Leo Lins é demitido do SBT por fala sobre criança com hidrocefalia

05 • 07 • 2022 às 12:57 Redação Hypeness
Redação Hypeness Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

Leo Lins foi demitido do SBT. A decisão foi tomada pela empresa de Silvio Santos após Lins fazer uma piada envolvendo hidrocefalia e o Teleton, maratona televisiva beneficente da emissora em favor da Associação de Assistência à Criança Deficiente. Ele fazia parte do programa ‘The Noite’, comandado por Danilo Gentili.

Leo Lins conseguiu perder emprego no SBT depois de “piada”

Durante um show de stand-up, Lins afirmou fez uma piada que reforçou estereótipos xenofóbicos sobre cearenses, estigmas sobre a seca do nordeste, falas ofensivas contra crianças com hidrocefalia e o Teleton.

“Eu acho muito legal o Teleton, poque eles ajudam crianças com vários tipos de problema. Vi um vídeo de um garoto no interior do Ceará com hidrocefalia. O lado bom é que o único lugar na cidade onde tem água é a cabeça dele. A família nem mandou tirar, instalou um poço. Agora o pai puxa a água do filho e estão todos felizes”, declarou o suposto comediante ao público.

Lins se utiliza da controvérsia para se promover como um templário em uma batalha contra o “politicamente correto”. Faz “piadas” ofensivas com o intuito de causar espanto, receber processos e se declarar um “mártir da comédia”. Em seus shows, o auto-intitulado humorista não tem problema em se utilizar de estereótipos raciais, capacitistas, de gênero, de orientação sexual e nacionalidade para fazer rir. E até citar o Teleton, o SBT foi conivente com o humor de Lins.

Relembre:

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A comédia como associação para a violência

Esse tipo de humor é recorrente na história, mas tem sido abandonado gradativamente por comediantes e pela crítica nos últimos anos. Diversos estudos reconhecem que o dark humour é um instrumento de conivência e normalização da violência contra minorias.

As supostas piadas do suposto comediante são chamadas de put-down comedy pelos especialistas. Essa prática se define pela piada que tem como objetivo subjugar um grupo social ou um tipo de pessoa que não goza de privilégios ou de igualdade em uma sociedade.

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O professor emérito em filosofia da Universidade de Portland, Michael Phillips, analisa o caso no artigo ‘Atitudes racistas e piadas racistas’, publicado no ano de 1984.

“Este tipo de humor une aqueles que participam – tanto performers quanto público – em uma comunidade de sentimentos contra um grupo. Ao se apreciar tal humor de forma coletiva, se experiencia uma alegria comum em oprimir, por exemplo, em transformar o outro em objeto de escárnio ou desprezo. Ou ainda, consegue-se transformar o grupo em um tipo de ser que não deve ser levado a sério”, afirma.

“Nossa participação mútua nisso por meio do riso compartilhado legitima a opressão. Aqueles entre nós que não riem – ou que se opõem ao riso são imediatamente estranhos, talvez até traidores. Ao participar do espetáculo, no entanto, aceita-se ser membro de uma associação racista (ainda que temporária)”, explica o filósofo.

 

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Fotos: Reprodução/Instagram/@leolins


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