Ciência

Como o isolamento social pandêmico alterou nossa percepção do tempo, segundo cientistas

28 • 07 • 2022 às 19:58 Karol Gomes
Karol Gomes   Redatora Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

O período da pandemia de covid-19 foi muito longo para muita gente que enfrentou tédio e tristeza durante o isolamento social. Mas para quem sentiu a sobrecarga da casa e do home office enquanto o mundo não parava de girar, os dias passaram mais rápido, como se não houvesse tempo para nada. E o que aponta isso é a ciência. 

Uma pesquisa feita em parceria pelo Hospital Israelita Albert Einstein e Universidade Federal do ABC demonstra que o isolamento social alterou a percepção da passagem do tempo das pessoas, ou pelo menos das 900 que colaboraram para a pesquisa ao longo de cinco meses, respondendo, semanalmente questionários online sobre como estavam se sentindo e sobre tarefas diárias – principalmente, se conseguiam ter lazer em meio a tudo isso. 

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O tempo passa mais rápido para quem tem muitas tarefas, segundo pesquisa

Além dos questionários, os voluntários da pesquisa também tinham um botão que apertavam conforme acreditavam na velocidade da passagem de um segundo. Assim, os pesquisadores conseguiram avaliar as duas ferramentas que o ser humano tem de perceber o tempo: uma mais subjetiva, que dá indícios se passa rápido ou devagar, e a outra relacionada à capacidade de estimar intervalos muito curtos, de milissegundos ou segundos, que usamos quando precisamos fazer um ritmo musical, por exemplo. 

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Com os resultados da pesquisa, os cientistas acreditam que a noção do tempo tem a ver com as emoções. Não é à toa que a sensação de espera por algum evento, por exemplo, é de ansiedade, pois isso depende da importância daquele evento e o nível de incerteza sobre a demora. 

O tédio faz a percepção de tempo das pessoas mudar

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“De forma geral, sentimentos negativos como solidão, medo, tristeza, fizeram aumentar a sensação de expansão temporal, ou seja, que os dias se arrastavam parecendo mais longos”, disse Raymundo Neto, pesquisador do Instituto do Cérebro do Hospital Israelita Albert Einstein e um dos autores do estudo, em entrevista a revista Galileu. 

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