Ciência

Desvendar o sexo dos dinossauros é a missão desse grupo de especialistas

11 • 07 • 2022 às 10:00 Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Como funcionava o sexo dos dinossauros? De que forma acasalavam os répteis gigantes que habitavam a Terra há milhões de anos? Como eram seus órgãos reprodutores? Havia penetração? Essas são algumas das perguntas que cientistas da Universidade de Bristol, no Reino Unido, estão tentando responder, em tema que uma reportagem da BBC Future investigou recentemente, em visita ao escritório de Jakob Vinther, professor de macroevolução na instituição.

Pouco se sabe sobre as formas e os detalhes da reprodução dos dinossauros

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Trata-se de pesquisa difícil, em que até hoje a ciência pouco conseguiu descobrir: não se sabe, por exemplo, como diferenciar machos de fêmeas entre os dinossauros com precisão, muito menos como cortejavam, que tipo de acasalamento praticavam, nem mesmo como eram seus genitais. Há, apenas, segundo a reportagem, uma grande certeza que move a pesquisa: os dinossauros faziam sexo – e junto dessa afirmação, alguns poucos fósseis ajudam a iluminar esse árduo caminho de estudo.

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O primeiro fóssil apontado por Vinther é de um Psitacossauro, um pequeno dinossauro, parente do Tricerátops, que viveu onde hoje é a Ásia há cerca de 120 milhões de anos, e que morreu em um lago, preservado mostrando parte de seus genitais. O animal possuía uma espécie de cloaca, semelhante aos pássaros atuais, mas certa pigmentação ao redor sugere que eles “mostravam” a genitália como forma de sedução – semelhante ao que hoje fazem os babuínos com seus traseiros coloridos.

O fóssil de Psitacossauro que trouxe novas informações sobre a genitália dos animais

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Outro fóssil, descoberto na formação Yixian, na província de Liaoning, na China, é ainda mais explicito, e revela dois Tiranossauros, tão completos que ainda trazem suas penas, um ao lado do outro, em um antigo lago – tão próximos, que os paleontólogos desconfiam que estavam fazendo sexo quando morreram. “Eles estão de costas um para o outro, mas com suas caudas sobrepostas. Acredito que eles tenham sido pegos no ato.” afirma Vinther. A posição de ambos sugere que os animais estavam em penetração quando morreram – o que aponta para a possível existência de um pênis nos Tiranossauros.

Exemplo de fóssil encontrado na formação Yixian, na província de Liaoning, na China

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Assim, de acordo com a matéria, duas estratégias de acasalamento são estudadas como possíveis práticas entre os dinossauros: uma conhecida como “beijo cloacal”, na qual os animais alinham suas cloacas e o macho injeta seu sêmen diretamente, e a outra, com um pênis e penetração, como fazem, por exemplo, os crocodilos. E, se hoje os pássaros, parentes mais próximos dos dinossauros, realizam todo tipo de cerimônia de exibição para o acasalamento, é provável que os dinossauros fizessem o mesmo, coberto de plumas, do alto de seus muitos metros de altura.

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© fotos 1, 2: Wikimedia Commons

© foto 3: Nature/reprodução


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