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Dia da mulher negra e latino-americana: qual a origem da data e sua importância

18 • 07 • 2022 às 10:17
Atualizada em 20 • 07 • 2022 às 09:50
Redação Hypeness
Redação Hypeness Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

As pessoas em todo o mundo conhecem e reconhecem o dia 8 de março como o Dia Internacional da Mulher, um dia que marca a luta das mulheres pelo direito de serem tratadas de forma socialmente igualitária e para conscientizar sobre os problemas que enfrentam todos os dias. No entanto, sabemos que como na maioria das discussões sociais, é importante fazer recortes de raça e classe. Por conta disso nasceu o Dia Internacional da Mulher Afro-Latino-Americana, Afro-Caribenha.

A data foi instituída em 25 de julho de 1992, na República Dominicana, onde mulheres negras de mais de 70 países reuniram-se para a realização do 1º Encontro de Mulheres Negras da América Latina e do Caribe. Desde então o dia 25 de julho ficou conhecido como o Dia da Mulher Negra da América Latina e do Caribe. Naquela ocasião teve início também a Rede de Mulheres Negras pertencentes a esta região, com o intuito comum de dar visibilidade à presença da mulher negra, possibilitando também a discussão de temas relativos à condição destas mulheres, principalmente na denúncia do racismo e misoginia.

Marcha das Mulheres Negras. Foto: Janine Moraes

Nesse primeiro encontro também ficou definido que este dia seria o marco internacional da luta e da resistência da mulher negra. Desde então, sociedade civil e governo têm atuado para consolidar e dar visibilidade a esta data, tendo em conta a condição de opressão de gênero e racial/étnica em que vivem estas mulheres, explícita em muitas situações cotidianas.

O objetivo da data é ampliar e fortalecer as organizações de mulheres negras e latinas, desenhar estratégias para a inserção de temáticas voltadas para o enfrentamento ao racismo, sexismo, discriminação, preconceito e demais desigualdades raciais e sociais. É um dia para ampliar parcerias, dar visibilidade à luta, às ações, promoção, valorização e debate sobre a identidade da mulher negra e latina.

No Brasil

Pensando em fortalecer a data e atendendo às demandas do movimento de mulheres negras brasileiras, a então presidente Dilma Rousseff sancionou em 2014 uma lei instituindo o dia como Dia Nacional Tereza de Benguela e Dia da Mulher Negra.

Tereza Benguela. Reprodução.

Tereza de Benguela foi uma líder quilombola que viveu no século XIX. Após a morte de companheiro, tornou-se líder do Quilombo do Piolho e durante duas décadas liderou mais de cem negros e indígenas. Eles não apenas resistiram ferozmente à escravidão, mas também criaram uma organização social sólida.

“Quando as mulheres negras se movem, o mundo inteiro se move conosco.” Essa importante afirmação da filósofa e ativista Angela Davis está se tornando cada vez mais real e objetiva para as mulheres negras no mundo todo. Olhando para a história do Brasil, a compreensão da interseccionalidade entre gênero, classe e raça, um feminismo negro cada vez mais forte e a ascensão de governos ligados aos movimentos sociais a partir de 2003 abriu espaço para as demandas dos movimentos de mulheres e o movimento negro serem incluídas na agenda política do país. Evidentemente houve um grande retrocesso nas discussões de 2018 para cá, mas ainda há força para lutar e fazer desse país um lugar melhor, mais seguro e igualitário para as mulheres negras.

 

 

 

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Foto da Marcha das Mulheres Negras: Janine Moraes

Ilustração Tereza Benguela: Reprodução.

Foto de capa: Getty Images


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