Ciência

Especialistas garantem que você terá mais saúde se tomar menos banho

14 • 07 • 2022 às 10:08
Atualizada em 14 • 07 • 2022 às 16:44
Redação Hypeness
Redação Hypeness Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

Quem nunca fugiu de um banho na infância e foi arrasatado até o chuveiro pelos pais? Basta crescer um pouquinho para encontrar prazer em tomar um bom banho. Ainda mais no Brasil, esse calor as vezes delicioso as vezes matador pede uma boa ducha. Mas agora alguns especialistas dizem que nos dias de hoje não é necessário ter tanta paranóia com higiene. Será?

A história do banho

Katherine Ashenburg, 65, autora de “Passando a limpo – O banho da Roma antiga até hoje” e de “The Dirt on Clean: An Unsanitized History” (este último, “A Sujeira no Limpo: Uma História Não-Higienizada”, ainda sem tradução para o português) acredita que passou o tempo em que precisávamos nos preocupar com a higiene diária.

“Não precisamos nos lavar como fazíamos quando éramos agricultores. Desde o advento dos carros e das máquinas que economizam trabalho, nunca precisamos lavar menos e, em vez disso, lavamos mais”, disse em entrevista a Catherine Saint Louis, do The New York Times.

O banho era uma prática comum dos romanos, que tinham a lavagem do corpo mais como um ritual do que meramente pela limpeza. Se banhar era uma atividade social que essa população fazia nas termas e era lá que conversavam, fechavam negócios… Com o declínio do império e ascensão do cristianismo, as termas foram caindo em desuso.

Ashenburg conta ainda em outro texto que as pestes que assolaram a Europa entre 1300 e 1400 fizeram com que as pessoas evitassem contato com a água. “Quando Filipe VI da França perguntou à faculdade de medicina da Universidade de Paris quem era o mais suscetíveis à praga, apontavam para pessoas que tomavam banhos quentes. Uma vez que o calor e a água abriram os poros, escreveram os médicos, a doença se espalhava”. O resultado foi realmente o europeu evitar esse contato com a água, o que durou pelo menos quatro séculos.

Banhar ou não banhar; eis a questão

Hoje, outros argumentos são dados por quem prefere evitar os banhos diários. “Boas bactérias estão educando suas células da pele para fazer seus próprios antibióticos e elas produzem seus próprios antibióticos que matam as bactérias ruins”, explica Richard Gallo, chefe da divisão de dermatologia da Universidade da Califórnia, em San Diego, ao The New York Times.

Ele fala sobre a retenção dos óleos e bactérias naturais da pele que, segundo pesquisas, ajudam este que é o maior órgão do corpo humano a funcionar plenamente. Os banhos, em especial quentes, podem deixar a pele mais seca ou mais propensa a surtos de eczema. “Não é apenas a remoção dos lipídios e óleos da pele que a resseca. Você pode estar removendo algumas das boas bactérias que ajudam a manter um equilíbrio saudável da pele”, afirma o dermatologista.

Enquanto os dermatologistas se preocupam com o impacto que toda a lavagem pode ter em sua pele, os defensores do meio ambiente argumentam que reduzir a quantidade de tempo que passamos no banho preservaria a água do mundo.

Waterwise, uma ONG dedicada à redução do consumo de água no Reino Unido, argumenta que ter menos chuveiros “usará menos água e menos energia” e também “reduzirá sua pegada de carbono, o que ajuda a prevenir o aquecimento global”.

Mas enquanto a preservação do meio ambiente está impulsionando a tendência sem sabão para alguns, para muitos outros é simplesmente porque eles têm preguiça de acordar cedo para tomar banho. Uma pesquisa do Conselho Global de Higiene em 2013 descobriu que 58% dos homens britânicos perderam o banho matinal porque estão muito ociosos ou muito apressados. E não sei se você já pegou um metrô em Londres, mas é perceptível.

Existe ainda o fato de termos uma indústria multimilionária que sobrevive da nossa obsessão com higiene pessoal – e causando ansiedade a cada vez que esquecemos o desodorante antes de sair de casa.

Segundo a Mintel, uma empresa de pesquisa de mercado nos Estados Unidos, jovens adultos de até 24 anos usam desodorante e antitranspirante mais de nove vezes por semana. Já os mais velhos ficam em 7 vezes por semana e 90% dos adultos de todas as idades usam xampu quase todos os dias.

Os brasileiros e o banho

Uma pesquisa da Procter&Gamble (P&G), multinacional do setor de limpeza e cuidados pessoais, mostrou que o brasileiro toma, em média, 8,5 banhos por semana – dois a mais do que os americanos — e que nossa média de desodorante chega a 14 vezes por semana.

“Culturalmente nós somos sim o povo que se lava mais, se perfuma mais. A história afirma que quem ensinou os colonizadores a tomar banho foram os indígenas. Eles tinham hábitos de higiene muito consolidados”, disse o dermatologista André Moreira ao Metrópoles. Mas o médico afirma que muitos banhos podem de fato tirar a oleosidade natural e prejudicar a pele.

A pandemia do coronavírus acabou inclusive intensificando nossos hábitos de higiene. A pesquisa da P&G mostra que não só somos bons de banho, mas saímos na frente também no quesito saúde bucal e compras de produtos especializados.

Os números mostram que 85% das mulheres brasileiras acreditam que beleza do cabelo, pele e corpo estão conectadas a um esforço pessoal ou a comprarem bons produto. Já entre as americanas, esse índice cai para 35%.

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Fotos: Getty Images

 

 

 

 


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