Debate

Estupro cometido por anestesista Giovanni Bezerra e o deboche de Jovem Pan e um estudante de medicina

14 • 07 • 2022 às 16:27
Atualizada em 14 • 07 • 2022 às 16:41
Redação Hypeness
Redação Hypeness Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

O registro flagrante do anestesista Giovanni Bezerra estuprando uma mulher que iria realizar um parto chocou o Brasil.

O médico foi detido e o caso levantou um debate sobre violência médica, obstétrica e sexual contra mulheres brasileiras. Mas a falta de sensibilidade de um setor da sociedade sobre o crime causou revolta.

Jovem Pan expôs vítima

Uma das graves falhas foi da emissora Jovem Pan. Ao noticiar o crime em seus programas televisivos, o veículo de comunicação exibiu o vídeo flagrante sem tarjas, expondo a intimidade da vítima e compartilhando, sem autorização, uma cena traumática inclusive para o espectador.

MTST fez manifestação em frente à sede da Jovem Pan, em São Paulo, por exposição de crime em rede nacional

A Jovem Pan foi denunciada judicialmente pela exposição. Uma mulher entrou com uma queixa-crime na Justiça paulista, afirmando que a emissora mostrou as imagens “sem utilização de recurso que impossibilitasse a identificação da vítima e, até onde consta, sem sua autorização”.

De acordo com a denúncia, a Jovem Pan incorreu em “divulgação de cena de estupro de vulnerável”, punido pelo Código Penal no artigo 218-C. A empresa nega, afirmando que é impossível identificar a vítima pelo vídeo.

“A bem da verdade, a repetição desta cena à exaustão por telejornais, ainda que sob filtros ou tarjas, pode ser um grande gatilho para quem assiste. Dá para noticiar sem ser tão explícito. É preciso haver o mínimo de respeito pela vítima e pelos espectadores”, avaliou o colunista Fefito.

Estudante de medicina debocha de situação

Um dos textos mais compartilhados por pessoas indignadas com o crime cometido por Giovanni Bezerra foi o “Nem todo homem, mas sempre um homem”, que reflete sobre os diversos ciclos de violência sexual sofrida por mulheres. A grande maioria dos estupros são cometidos por homens.

O texto é de Tracy Figg. “No necrotério depois de mortas. Com meses de vida. Na infância. Na pré-adolescência. Adultas. Idosas. NO PARTO. Nas clínicas psiquiátricas. Nas consultas médicas de qualquer especialidade. Na rua, na igreja e em casa. Pelo pai, pelo padrasto, pelo avô, pelo tio, pelo professor, pelo padre, pelo pastor, pelo médium, pelo MÉDICO, pelo marido, pelo primo, pelo irmão. Nem todo homem, mas sempre um homem”, afirma.

O estudante de medicina da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Lucas Müller Mendonça, fez um comentário satirizando a publicação, afirmando que mulheres não sabem dirigir. Em pleno 2022.

O aluno foi denunciado à Ouvidoria da UFMS e a Associação Atlética Acadêmica de Medicina da Federal do Mato Grosso do Sul publicou nota de repúdio contra a empresa.

“Foi apenas um texto satírico, inocente e intencionalmente absurdo a fim de expor a ideia ridícula insinuada através da frase ‘sempre um homem”, se defendeu Lucas.

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