Debate

Igualdade e equidade: qual a diferença entre os termos?

27 • 07 • 2022 às 14:16 Roanna Azevedo
Roanna Azevedo   Redatora Diretamente da zona norte do Rio, é jornalista por profissão e curiosa por conta própria. Ama escrever sobre cinema e o universo do entretenimento há mais de dois anos. Tem paixão por tudo que envolve cultura, música, arte e comportamento, além de ficar sempre ligada no que rola no mundinho da comunicação nas redes sociais.

Apesar de na maioria das vezes serem ensinadas como a mesma coisa, a igualdade e a equidade não são sinônimos, mas parceiras de time. Distinguir os dois conceitos é fundamental para entender qual a melhor maneira de implementar ações que respeitem verdadeiramente as diversidades de cada pessoa. Abaixo, explicamos a diferença, tanto em tese quanto na prática.

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O que é igualdade?

O princípio da igualdade se baseia na ideia de que todas as pessoas devem ser tratadas da mesma forma e terem direito às mesmas oportunidades, independentemente de quem sejam, o que fazem e de onde venham. Para isso, ele se inspira na noção de universalidade.

O que é equidade?

O conceito de equidade reconhece que as pessoas não são iguais, tendo nascido e vivido em contextos diferentes, além de apresentarem demandas individuais. Esse “desequilíbrio”, portanto, precisa ser ajustado: cada um deve receber o que necessita de modo proporcional para, finalmente, ter acesso às mesmas oportunidades.

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Qual é a diferença entre igualdade e equidade na prática?

A igualdade de tratamento não é necessariamente suficiente para garantir que todos tenham uma chance de prosperar de verdade na sociedade. Para que isso aconteça de forma absoluta, é preciso que a equidade entre em cena. É possível entender de forma efetiva como os dois conceitos se diferenciam por meio da análise da imagem abaixo, a mais usada em todo o mundo para explicar facilmente o motivo pelo qual os dois princípios não são sinônimos.

Nela, há um homem adulto, uma criança e um bebê em ambos os lados. Todos querem assistir ao jogo de beisebol, mas dois deles não são altos o suficiente para enxergar por cima da cerca.

A imagem da esquerda mostra o que acontece em uma sociedade baseada na igualdade, na qual os três recebem o mesmo recurso: um caixote. Apesar de terem ganhado o mesmo artifício, apenas o adulto e a criança conseguem ver do outro lado da cerca, enquanto o bebê continua impossibilitado.

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Já na imagem da direita, cada um recebeu a quantidade de caixotes necessária para que conseguissem assistir ao jogo de beisebol. Essa representação de equidade, além de tudo, combina acesso — a criança e o bebê agora podem ver o que acontece do outro lado da cerca — e inclusão — elas compartilham a experiência com o adulto, que nunca precisou de caixote algum.

As consequências da diferença entre igualdade e equidade podem ser observadas em diversas situações sociais. No contexto histórico brasileiro, por exemplo, a Lei Áurea garantiu a abolição da escravatura, mas não ofereceu meios para que os negros libertos pudessem se integrar a sociedade. Apesar de serem livres como o restante da população, eles não tinham direito à saúde, à moradia e à educação, sendo impossibilitados de ingressar em empregos remunerados. A maioria continuou nas fazendas servindo aos senhores de engenho para se sustentar.

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É por esse motivo que soluções equitativas exigem que entendamos a história, o contexto e o relativismo cultural. É preciso que as pessoas sejam consideradas como seres humanos individuais, com necessidades e origens específicas, e não anônimos membros de uma multidão homogênea.

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Foto 1: Daniel Grizelj/Getty Images

Foto 2:  Interaction Institute for Social Change/Angus Maguire


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