Ciência

James Webb prova que pode encontrar sinais de vida em outros planetas; entenda

28 • 07 • 2022 às 09:13
Atualizada em 02 • 08 • 2022 às 10:42
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

O James Webb pode se tornar o primeiro instrumento a detectar vida em outro planeta. Se o telescópio já fez história na astronomia com as fotos mais profundas e detalhadas já tiradas do universo, esse é definitivamente só o começo: a capacidade do equipamento de medir a composição química da atmosfera de planetas distantes através da luz poderá ser a chave para encontrar sinais de vida a milhões de quilômetros da Terra.

O espelho principal do telescópio James Webb

O espelho principal do telescópio James Webb

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Quando um dos 5 mil exoplanetas já identificados pela NASA se coloca na frente da estrela ao redor da qual ele habita, sua atmosfera “filtra” parte da luz dessa estrela: essa luz “filtrada” pela atmosfera é capturada pelo James Webb, que a difrata em um espectro de cores. A partir dessas informações, é possível determinar as moléculas presentes na atmosfera e, assim, indicar se há, por exemplo, a presença de água, bem como outras condições para a possibilidade de vida ou de se tratar de um planeta habitável.

Representação artística do exoplaneta WASP-96b, onde as temperaturas superam 540 graus

Representação artística do exoplaneta WASP-96b, onde as temperaturas superam 540 graus

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O telescópio já estudou, por exemplo, as condições do WASP-96b, um imenso exoplaneta gasoso a cerca de 1.120 anos-luz da Terra. O estudo descobriu a presença de água e nuvens no exoplaneta, mas sua dimensão e temperatura, superando os 540º C, não o tornam exatamente habitável para a humanidade. Ainda assim, as análises feitas pelo James Webb não só comprovaram a existência de água como descobriram as nuvens – possivelmente feitas de areia – na atmosfera do planeta.

Representação artística do exoplaneta WASP-96b analisada pelo James Webb

Composição atmosférica do exoplaneta WASP-96b analisada pelo James Webb

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Um dos próximos alvos do telescópio é o exoplaneta TRAPPIST-1e, localizado dentro da chamada “zona habitável” da estrela anã TRAPPIST 1, a “somente” 40 anos-luz da Terra. A zona habitável é a faixa de órbita ao redor de uma estrela na qual a superfície suporta água líquida: se houver sinais de vida dentro desse planeta, o James Webb irá captar. Assim, não é exagero supor que o mais potente telescópio do mundo é capaz de detectar vida em outro planeta – e ele já está trabalhando por isso.

O exoplaneta TRAPPIST-1e é um dos próximos a ser estudado pelo telescópio

O exoplaneta TRAPPIST-1e é um dos próximos a ser estudado pelo telescópio

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