Ciência

Manuscrito Voynich: a história de um dos livros mais misteriosos do mundo

19 • 07 • 2022 às 10:20
Atualizada em 21 • 07 • 2022 às 09:30
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Apelidado de “o livro que ninguém consegue ler”, o Manuscrito Voynich é um dos maiores mistérios da criptografia em todos os tempos. Também conhecido como “Código Voynich”, a publicação é o que de fato o apelido sugere: um livro ilustrado datado do século 14 e escrito em uma língua desconhecida ou código incompreensível, que até hoje ninguém conseguiu decifrar. Pelas ilustrações, supõe-se que a obra trata de temas como botânica, astronomia, biologia e farmacologia, mas há muito mais dúvidas do que certezas sobre o livro.

Na página 66, uma ilustração que se acredita representar um girassol

Na página 66 do Manuscrito Voynich, uma ilustração que provavelmente representa um girassol

-Código Dickens: caligrafia ilegível do autor inglês é finalmente decifrada, mais de 160 anos depois

Formado por 122 folhas e 240 páginas escritas em pergaminho de vitelo com 16 centímetros de largura, 22 centímetros de altura e 4 de espessura, o Manuscrito Voynich ganhou esse nome por ter sido descoberto na Itália, em 1912, pelo livreiro estadunidense Wilfrid Voynich. Segundo consta, o livreiro teria comprado o livro em um colégio jesuíta em Villa Mondragone, e um documento do século 17 que acompanhava o livro sugere que o Manuscrito pertenceu a um famoso alquimista chamado Georg Baresch, em meados do século XV, e até ao imperador Rodolfo II: atualmente a publicação se encontra aos cuidados da biblioteca da Universidade de Yale, nos EUA.

Parte da seção de farmacêutica, na página 175

Parte da seção de farmacologia, na página 175

Algumas páginas se desdobram em folhas maiores, revelando diagramas e ilustrações

Algumas páginas se desdobram em folhas maiores, revelando diagramas e ilustrações

-Anne Lister, a primeira ‘lésbica moderna’, registrou sua vida em diários escritos em código

Desde que Voynich tornou o mistério público, em 1915 , diversos estudiosos e criptógrafos tentaram decifrar os textos, sem sucesso: a mais concreta informação alcançada até hoje foi uma datação por carbono, realizada pela Universidade do Arizona, que determinou que o pergaminho é do início do século 14. O que permitiu especular sobre os temas do livro são as diversas ilustrações que acompanham o texto, que mostram desde plantas desconhecidas, diagramas posicionando estrelas, signos do zodíaco, figuras femininas, ampolas, frascos e tubos, plantas e raízes, e mais.

O livreiro Wilfrid Voynich foi um dos maiores colecionadores de livros raros de sua época

O livreiro Wilfrid Voynich foi um dos maiores colecionadores de livros raros de sua época

Detalhe mostrando a escrita do livro, e uma ilustração com figuras femininas

Detalhe mostrando a escrita do livro, e uma ilustração com figuras femininas

-Manuscrito ilustrado de ervas medicinais escrito há mil anos é disponibilizado online

O texto é constituído por cerca de 170 mil caracteres, com possivelmente 35 mil palavras, formadas a partir de um conjunto de 20 a 30 letras que se repetem, além de cerca de 12 caracteres que aparecem somente uma ou duas vezes. Um estudo realizado por pesquisadores da USP em 2014 concluiu que o sistema do manuscrito é similar em 90% a outros idiomas, sugerindo, portanto, que o livro não é um embuste ou somente uma sequência de símbolos sem sentido: trata-se de um provável idioma ou sistema de comunicação de fato, ainda que até aqui desconhecido ou não decifrado.

Ilustrações florais na página 32

Ilustrações florais na página 32

Outra página da provável seção de Botânica do manuscrito

Outra página da provável seção de Botânica do manuscrito

-Uma das páginas do estudante que desapareceu no Acre é traduzida e revelada

O fato de até hoje não ter sido decifrado faz com que diversos estudiosos, porém, sustentem a ideia de que o Manuscrito não passa de uma invenção sem propósito – uma combinação de desenhos e símbolos aleatórios, criados no Renascimento para confundir estudiosos. Seja como for, o fato é que o livro permanece como um dos grandes mistérios da criptografia em toda a história – e que pode não passar de uma coleção de imagens sem propósito, ou esconder conhecimentos do passado como um dos mais bem guardados segredos de todos os tempos.

A primeira página do livro

A primeira página do livro

As últimas páginas não trazem ilustrações

As últimas páginas não trazem ilustrações: o livro possivelmente era ainda maior

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