Arte

Momentos mágicos e assustadores nos bastidores da versão de 1933 de ‘Alice no País das Maravilhas’

11 • 07 • 2022 às 10:00
Atualizada em 13 • 07 • 2022 às 09:12
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Uma das mais célebres e fantásticas histórias infantis de todos os tempos, Alice no País das Maravilhas é também uma narrativa tanto assustadora, e é nesse aspecto que a adaptação para os cinemas realizada em Hollywood em 1933 investiu. Com um elenco estelar, o filme foi lançado como uma superprodução realizada pelos estúdios Paramount, mas acabou não fazendo sucesso, e as fotos do set de filmagem e o trailer sugerem os motivos por trás do fracasso de bilheteria.

Apesar de ser uma superprodução, Alice no País das Maravilhas de 1933 foi um fracasso de público

Apesar de ser uma superprodução, Alice no País das Maravilhas de 1933 foi um fracasso de público

As maquiagens surreais e o clima um tanto sombrio do filme teriam afastado o público

As maquiagens surreais e o clima um tanto sombrio do filme teriam afastado o público

-Fotos tiradas por Lewis Carroll mostram a menina que inspirou ‘Alice no País das Maravilhas’

A densidade da história, a aparência dos personagens e o clima um tanto sombrio fazem do filme hoje uma amada obra cult, mas à época acabaram espantando o público. Dirigido por Norman Z. McLeod e trazendo um grande elenco, com Charlotte Henry como Alice, W.C. Fields como Humpty Dumpty, Gary Cooper como o Cavaleiro Branco e um jovem (e irreconhecível) Cary Grant como a Falsa Tartaturga, o filme é baseado nos dois mais famosos livros de Lewis Carroll, Alice no País das Maravilhas e Alice Através do Espelho.

O personagem Humpty Dumpty

O personagem Humpty Dumpty como apresentado no filme

Alice encontrando Tweedledee e Tweedledum no filme

Alice encontrando Tweedledee e Tweedledum no filme

Detalhe da assustadora maquiagem de Tweedledee e Tweedledum

Detalhe da assustadora maquiagem de Tweedledee e Tweedledum

-Sir John Tenniel: o autor das icônicas ilustrações de ‘Alice no País das Maravilhas’

O filme foi o primeiro em live-action a adaptar a história original de Carroll, e as maquiagens, a direção de arte, os figurinos e efeitos da época deram ao filme um tom denso que o tornou um tanto assustador para o público infantil, e excessivamente surreal para o público adulto dos anos 1930. Aparentemente, um filme com atores interpretando uma história fantástica só se tornaria algo aceito pelos espectadores seis anos depois, com o imenso sucesso de O Mágico de Oz, de 1939.

A atriz Charlotte Henry estudando no set de filmagem

A atriz Charlotte Henry estudando no set de filmagem

-Lewis Carroll, autor de Alice No País das Maravilhas, era o Jack, o Estripador?

A obra chegou a ter sua exibição proibida na China, classificado como um filme “supersticioso” e “estranho”. Alice no País das Maravilhas seria adaptado em um desenho animado de imenso sucesso em 1951, mas aparentemente o trauma da versão de 1933 foi tão grande para Hollywood que a história só ganharia outra produção com atores em live-action em 2010, dirigida por Tim Burton e, apesar de ter recebido críticas medianas, arrecadou mais de 1,025 bilhão de dólares, tornando-se o 45º filme mais bem sucedido comercialmente em todos os tempos.

O filme hoje é visto como uma obra cult, apesar do fracasso no passado

O filme hoje é visto como uma obra cult, apesar do fracasso no passado

Um novo live-action de Alice só seria feito quase 80 anos depois, em 2010, na versão de Tim Burton

Um novo live-action de Alice só seria feito quase 80 anos depois, em 2010, na versão de Tim Burton

 

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