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Rolling Stones, 60 anos: algumas histórias inusitadas dos 12 shows que a banda já fez no Brasil

20 • 07 • 2022 às 09:27
Atualizada em 22 • 07 • 2022 às 18:30
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Em 2022, os Rolling Stones completam 60 anos de atividades, desde seu primeiro show, realizado em 12 de julho de 1962 no lendário clube Marquee, em Londres. De lá pra cá, entre os milhares de outros shows que a banda inglesa já realizou, 12 aconteceram no Brasil e, além das cinco apresentações em 1995, duas em 1998, uma em 2006 e quatro em 2016, os Stones colecionam diversas histórias ocorridas em solo brasileiros – incluindo a composição de dois de seus maiores clássicos e o nascimento de um filho do vocalista, Mick Jagger.

Mick Jagger "vestindo" a bandeira brasileira durante o lendário show em Copacabana, em 2001

Mick Jagger “vestindo” a bandeira brasileira durante o lendário show em Copacabana, em 2006

A banda em 1964, ainda com o fundador Brian Jones e o guitarrista Bill Wyman na formação

A banda em 1964, ainda com o fundador Brian Jones e o guitarrista Bill Wyman na formação

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“Simpathy For The Devil” na Bahia em 1968

A primeira visita de um Rolling Stone ao Brasil aconteceu em 1968, quando Jagger visitou o país acompanhado da cantora Marianne Faithfull, à época sua namorada. O casal primeiro passou alguns dias no Rio e depois foi para a Bahia: em Salvador, ao participar da procissão e da lavagem da escadaria da Igreja do Nosso Senhor do Bonfim, reza a lenda que o cantor teria tido a primeira ideia para o clássico “Simpathy For The Devil”. A batida da música busca reproduzir (com a dureza do suingue britânico, é verdade) uma levada de samba. Antes de voltar para a Inglaterra, Jagger e Marianne ainda passaram uma semana em uma pequena casa de pescadores alugada na praia de Itapuã.

Jagger em Itapuã, em 1968, na época em que se inspirou para compor "Simpathy For the Devil"

Jagger na Bahia, em 1968, na época em que se inspirou para compor “Simpathy For the Devil”

Jagger, Annita Pallenberg e Keith Richard embarcando para o Rio, no fim de 1968

Jagger, Annita Pallenberg e Keith Richards embarcando para o Rio, no fim de 1968

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“Honky Tonk Women” composta em São Paulo

No fim do mesmo ano, o artista retornou ao Brasil, agora acompanhado do guitarrista Keith Richards e sua namorada, Anita Pallenberg, para o ano novo: após os festejos cariocas, a trupe rumou para a fazenda do banqueiro Walther Moreira Salles em Matão, no estado de São Paulo: foi lá que compuseram “Honky Tonk Women”, que se tornaria outro clássico infalível de seu repertório. Antes do primeiro show, em 1995, os membros da banda ainda viriam diversas vezes ao Brasil, e Jagger chegou a estrelar um filme realizado em solo brasileiro, “Running Out of Luck”, de 1986, que nunca chegou a ser devidamente lançado.

O cantor no Rio, durante sua primeira estadia na cidade

O cantor no Rio, durante sua primeira estadia na cidade

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Os primeiros shows

Conforme recorda reportagem especial da BBC, os primeiros shows no Brasil foram abertos pela banda estadunidense Spin Doctors, os brasileiros do Barão Vermelho e pela rainha Rita Lee. Quando se viu em pleno gramado do Maracanã, consta que Richards perguntou em qual lado Pelé havia marcado seu milésimo gol, e se emocionou ao saber que o palco estava montado no justo local. Na segunda turnê, em 1998, os shows foram abertos por Cássia Eller e pelo cantor e compositor estadunidense Bob Dylan: o primeiro na Praça da Apoteose, no Rio de Janeiro, em 11 de abril, e o segundo no Estádio do Ibirapuera, em São Paulo, em 13 de abril.

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Incêndio, filho, e 1,5 milhão de pessoas

Dois eventos, além dos shows, marcaram a passagem da banda pelo Brasil em 1998: um incêndio em uma lancha que transportava os guitarristas Keith Richards e Ron Wood até a ilha do cirurgião Ivo Pitanguy em Angra dos Reis, que terminou sem feridos, e uma festa oferecida um dia antes do show no Rio, onde Jagger conheceu a modelo e apresentadora Luciana Gimenez, que se tornaria mãe de seu sétimo filho, Lucas. Em 2006, o ponto mais impressionante da passagem da banda foi mesmo o próprio show: na Praia de Copacabana, os Rolling Stones realizaram um dos maiores shows de todos os tempos, para um público estimado em 1,5 milhão de pessoas no dia 18 de fevereiro, com abertura da banda Titãs.

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A quarta e mais recente vinda ao Brasil se deu em 2016, quando os Stones realizaram quatro shows: no Maracanã, no Rio, com abertura da banda Ultraje a Rigor, dois no estádio do Morumbi, em São Paulo, novamente com abertura dos Titãs, e um em Porto Alegre, com abertura da banda Cachorro Grande.

Keith Richards durante o show no Rio, para 1,5 milhão de pessoas, em 2006

Keith Richards durante o show no Rio, para 1,5 milhão de pessoas, em 2006

O guitarrista Ron Wood, na foto no show em Copa, é um visitante assíduo do Brasil

O guitarrista Ron Wood, na foto no show em Copa, é um visitante assíduo do Brasil

Nova visita ainda em 2022

E fazendo justiça ao ditado que diz que pedras rolantes não criam limo, mesmo tendo perdido seu lendário baterista, Charlie Watts, em agosto do ano passado, a banda não tem planos de encerrar as atividades e nem sua relação estreita com o país: notícias afirmam que os Stones farão uma nova turnê por aqui ainda em 2022, que certamente acrescentará novas histórias à coleção de causos brasileiros da maior banda de rock do mundo.

Ron Wood, Mick Jagger, Keith Richards e Charlie Watts durante show em São Paulo, em 2016

Ron Wood, Mick Jagger, Keith Richards e Charlie Watts durante show em São Paulo, em 2016

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